A digitalização do mar deu um importante passo adiante recentemente, com a colaboração da empresa suíça Hydromea e da norueguesa Equinor. As duas companhias conseguiram demonstrar uma transmissão de dados sem fio, em tempo real e de alta largura de banda, diretamente do fundo do mar para a nuvem. Este teste combina comunicações ópticas submarinas, uma rede própria de subsea e integração com sistemas de nuvem e controle em terra, representando um marco para operações autônomas em alto-mar.
O foco da demonstração é a plataforma LUMA da Hydromea, baseada em comunicação óptica em espaço livre debaixo d’água. Com dispositivos prontos para a tecnologia SWiG, a empresa conseguiu estabelecer um ponto de acesso sem fio submarino que consegue transmitir dados a velocidades de até 10 Mbps e operar em profundidades de até 6.000 metros. As informações captadas de sensores no fundo do mar ou de veículos submarinos são enviadas sem fio para a infraestrutura da Equinor via sua rede DEEPNET, sendo posteriormente direcionadas para a nuvem e sistemas de operação em terra.
O avanço se mostra relevante não apenas como uma demonstração técnica, mas também como uma solução para um problema específico, que é a dificuldade de obter dados em tempo real sem depender de cabos umbilicais ou de intervenções regulares com embarcações de apoio. A Hydromea argumenta que esta arquitetura em nuvem oferece a chance de que sensores e veículos submarinos não tripulados possam transferir informações continuamente, diminuindo a necessidade de intervenção humana e a dependência de soluções cabeadas.
A Equinor, que já vinha investindo em tecnologias como drones e robôs submarinos, tem como objetivo expandir o uso de veículos subaquáticos autônomos e estações de ancoragem padronizadas para operações de inspeção e manutenção. O contexto dessa parceria ajuda a explicar a importância da demonstração; ao permitir que um veículo ou sensor transmita dados estruturais em tempo real do fundo do mar para a nuvem, a inspeção se transforma numa camada contínua de monitoramento.
Entretanto, é importante esclarecer que essa inovação não vem para substituir os grandes cabos submarinos de fibra óptica que conectam continentes e sustentam a internet. Em vez disso, ela acrescenta uma camada crítica de conectividade mais local e voltada para operações subaquáticas. O aumento do valor estratégico da infraestrutura digital submarina é cada vez mais debatido, especialmente em um momento em que 98% do tráfego global de dados é transportado por cabo submarino.
Outro aspecto crucial da novidade é a questão da padronização. Hydromea e Equinor fazem parte do grupo SWiG, que se dedica ao desenvolvimento de padrões para tecnologias de comunicação submarina sem fio. A empresa se propõe a liderar a criação de um padrão global para comunicações ópticas submarinas, buscando facilitar a adoção dessas soluções por diferentes fabricantes e operadores.
À medida que a tecnologia avança, a interoperabilidade entre sistemas será fundamental. Para que essa solução escale adequadamente, a indústria precisará integrar equipamentos, procedimentos comuns e uma economia operacional que justifique seu uso diante dos métodos tradicionais. A demonstração da Hydromea e Equinor marca um movimento significativo nessa direção e chama a atenção de toda a indústria para as novas possibilidades que se abrem no ambiente subaquático.






