As Nações Unidas expressaram novamente sua profunda preocupação com os recentes eventos na Guiné-Bissau, especialmente após o golpe de Estado realizado por elementos das forças armadas. Em uma declaração feita na sede da ONU em Nova Iorque, o secretário-geral António Guterres condenou com firmeza a tentativa de violar a ordem constitucional, reiterando que qualquer desrespeito à vontade do povo, manifestada nas eleições gerais de 23 de novembro, é inadmissível e uma violação dos princípios democráticos.
O Exército da Guiné-Bissau anunciou a nomeação do general Horta Nta Na Man como presidente de uma transição que irá liderar um governo interino por um ano. A designação, formalizada em um comunicado, também incluiu a escolha de um novo primeiro-ministro. Essa movimentação ocorreu em meio à reabertura das fronteiras do país, um dia após a tomada de poder, que interrompeu o processo eleitoral que contava com a participação do ex-presidente Úmaro Sissoco Embaló e do candidato Fernando Dias. Além disso, foi relatada a retomada das operações da Rádio Nacional e a reabertura de estradas e do comércio.
Guterres fez um apelo por uma restauração imediata e incondicional da ordem constitucional, pedindo a libertação de todos os detidos, incluindo líderes da oposição e responsáveis pelo processo eleitoral. O alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Turk, expressou preocupação com relatos de violações dos direitos humanos, citando a detenção arbitrária de pelo menos 18 indivíduos, incluindo funcionários do governo e jornalistas, além de um clima de intimidação contra a imprensa.
A nota da ONU também destacou o fechamento temporário de várias estações de rádio independentes e a interrupção do acesso à internet e redes sociais, complicando ainda mais a situação no país. Guterres pediu moderação de todas as partes envolvidas, enfatizando a importância de respeitar as instituições democráticas e a vontade do povo, e ressaltou que as disputas devem ser resolvidas por meio do diálogo pacífico e legal. As Nações Unidas reiteraram seu apoio às iniciativas de organizações regionais, como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e a União Africana, no sentido de promover a estabilidade e a democracia na Guiné-Bissau.
Origem: Nações Unidas






