No debate sobre a Inteligência Artificial (IA) deixou de se restringir à questão “ajuda” ou “substituição” e agora foca na velocidade da evolução tecnológica e suas repercussões nas empresas. Geoffrey Hinton, um dos líderes na área de aprendizado profundo, popularmente chamado de “padrinho” da IA, recentemente destacou que, segundo suas previsões, a tecnologia está avançando a um ritmo alarmante, com as capacidades dos sistemas dobrando aproximadamente a cada sete meses. Esse fenômeno tem o potencial de provocar uma série de decisões desafiadoras em 2026, quando a linha entre “experimental” e “rentável” poderá se tornar cada vez mais tênue.
A métrica da “duplicação de capacidades” sugere que, em vez de simplesmente otimizar processos, a IA está transformando a maneira como as tarefas são executadas. Isso não significa que funções desaparecerão, mas sim que se tornaram mais comprimidas. Onde antes era necessário um número considerável de mãos trabalhadoras, agora uma única pessoa pode supervisionar e corrigir o trabalho de um sistema automatizado. Esse “silencioso golpe” ao mercado de trabalho afeta de forma mais acentuada posições ligadas a tarefas intelectuais rotineiras, como atendimento ao cliente, tarefas administrativas e gestão de documentos.
A razão para o destaque de 2026 como um ano crucial para essas transformações é o fato de que muitas empresas já não estão apenas testando a tecnologia, mas a estão integrando em seus processos de trabalho. Esse movimento cria uma pressão competitiva: se um concorrente pode operar com maior eficiência, outros precisam seguir o exemplo para manter suas margens de lucro. Assim, a corrida pela eficiência se intensifica, tornando a adoção da IA numa urgência comercial.
O impacto previsto é desigual, com algumas funções sendo eliminadas, outras se transformando e algumas crescendo. Essa mudança não é nova, mas é notável que, ao contrário de revoluções tecnológicas anteriores, as tarefas de escritório e serviços podem ser as mais atingidas pela automatização.
Contudo, a reinvenção não é uma opção. Conforme o Fórum Econômico Mundial destaca, as habilidades demandadas pelo mercado estão mudando rapidamente. Enquanto algumas funções podem ser automatizadas, a requalificação e a adaptação das competências se tornam essenciais para a permanência dos trabalhadores em seus postos.
Além disso, a rápida mudança tecnológica coloca um desafio significativo para a formação profissional. O descompasso entre a velocidade da evolução da IA e a capacidade de adaptação dos trabalhadores e empresas gera um cenário onde a transição pode ser abrupta e desafiadora, especialmente para departamentos que dependem de processos repetitivos.
No curto prazo, espera-se que o mercado de trabalho se transforme em um modelo com empregos mais híbridos, onde as funções são mantidas, mas com novas ferramentas e expectativas. A capacidade de utilizar a IA de forma crítica, como saber fazer as perguntas corretas e detectar erros, tornará-se uma habilidade valiosa.
Em resumo, o avanço da Inteligência Artificial cria tanto desafios quanto oportunidades, e a forma como o mercado laboral se adapta a essas mudanças poderá definir o futuro do emprego nos próximos anos.





