Um novo estudo do projeto BootStRaP, liderado pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), revela que o uso problemático da Internet entre adolescentes vai muito além do simples tempo de tela. Com dados coletados de mais de 2.500 jovens em nove países, a pesquisa mostra que os comportamentos online estão intrinsecamente ligados à regulação emocional e ao autocontrole.
Essa investigação ressignifica o entendimento do uso da Internet entre adolescentes, sugerindo que muitos jovem utilizam a rede não apenas para entretenimento, mas também como uma maneira de lidar com estresse e emoções negativas. A facilidade de acesso ao ambiente digital propicia formas rápidas de alívio emocional, mas pode resultar em dificuldades de autorregulação, afetando negativamente o sono, a aprendizagem e as relações interpessoais.
Os pesquisadores destacam que é crucial compreender as motivações por trás do uso da Internet e os mecanismos psicológicos que levam à dependência, em vez de focar apenas no tempo de tela. Célia Sales, uma das pesquisadoras responsáveis, afirmou que o objetivo do estudo é entender como a interação entre a acessibilidade da tecnologia, fatores de risco individuais e dificuldades emocionais contribuem para o desenvolvimento do uso problemático da Internet.
Uma inovação importante do projeto é a utilização de uma aplicação móvel que avalia em tempo real o comportamento online, estados emocionais e processos cognitivos de adolescentes, evitando os vieses dos inquéritos retrospetivos. Isso permite uma análise mais precisa das inter-relações entre a atividade digital e o funcionamento emocional e cognitivo, num ambiente cotidiano.
As investigadoras Carolina Cordeiro e Teresa Dias enfatizam a participação ativa dos adolescentes no estudo, não apenas como sujeitos de pesquisa, mas também como co-criadores dos procedimentos e design da aplicação. O projeto BootStRaP, que tem um financiamento de cinco anos do programa Horizonte Europa, envolve 14 países e busca promover o bem-estar emocional, considerando a complexidade do uso da Internet na vida dos jovens.
Origem: Universidade do Porto






