Em apenas duas horas, a tempestade Kristin causou uma devastação sem precedentes no município de Leiria, derrubando cerca de oito milhões de árvores. A catástrofe, ocorrida em fevereiro, mobilizou a atenção do presidente da Câmara Municipal, Gonçalo Lopes, que prontamente solicitou a colaboração do arquiteto paisagista Paulo Farinha Marques, docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e atual diretor do Jardim Botânico da U.Porto.
Durante uma conferência, Lopes destacou a magnitude dos danos, referindo que este desafio representa “o maior desafio da arquitetura paisagística em Portugal nos últimos anos”. O edil ressaltou que a iniciativa busca não apenas restaurar o que foi perdido, mas também planejar uma futura arborização da cidade.
A equipe de especialistas, sob a liderança de Farinha Marques, iniciou um levantamento cuidadoso dos espaços afetados e das necessidades de recuperação, focando em jardins emblemáticos como o Jardim Luís de Camões e o Parque da Cidade. “A nossa intervenção foi como uma urgência médica: após a visita aos locais, elaboramos propostas imediatas para compensar as enormes perdas”, afirmou o arquiteto.
Dentre as estratégias a serem adotadas, a plantação de árvores de crescimento rápido foi priorizada. Farinha Marques explicou que a seleção de espécies variáveis, incluindo carvalhos, ginkgos bilobas e choupos, visa garantir a adaptabilidade das árvores ao ambiente urbano. Com o planejamento adequado, espera-se que essas árvores atinjam sua maturidade em 15 a 20 anos, contribuindo para a revitalização das áreas afetadas.
Após as visitas de campo, a equipe da FCUP, que inclui o docente José Miguel Lameiras, além dos arquitetos paisagistas Manuel Rebelo e Ana Rita Araújo e da bióloga Filipa Guilherme, irá compilar um relatório final com recomendações específicas para cada espaço.
Para Paulo Farinha Marques, o projeto traz um “sentido de esperança, de evolução e de progresso, todo ele alicerçado na árvore”, refletindo a importância vital da vegetação urbana na qualidade de vida das cidades.
Origem: Universidade do Porto






