Uma nova iniciativa liderada pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) busca enfrentar a crescente ameaça das doenças fúngicas no sobreiro, que têm sido exacerbadas pelas alterações climáticas. O projeto “Cut&CareG” visa desenvolver lubrificantes e revestimentos sustentáveis para as ferramentas utilizadas na extração da cortiça, utilizando novos materiais antimicrobianos verdes. A coordenadora do projeto, Raquel Nunes da Silva, destaca que a emergência de patológicas no sobreiro é uma preocupação crescente, principalmente após a poda, quando a vulnerabilidade das árvores aumenta.
Os novos materiais antimicrobianos serão fabricados a partir de grafeno e compostos antioxidantes extraídos de subprodutos vegetais, incluindo folhas de chá verde e resíduos de cortiça, além de galhas de Alepo. O objetivo é não apenas proteger a saúde das árvores, mas também promover uma exploração da cortiça que respeite os princípios da sustentabilidade e da ecologia.
Atualmente em fase de extração de compostos e preparação dos derivados de grafeno, o projeto também incluirá rigorosos testes laboratoriais e de campo para assegurar a eficácia dos produtos. Além disso, serão realizados estudos sobre a segurança ambiental dos novos compostos, que buscam garantir a proteção tanto dos trabalhadores quanto do ecossistema.
Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) com um investimento de 233 mil euros, o projeto se estende até 2028 e envolve diversas instituições, incluindo a Universidade de Aveiro e o Centro Tecnológico da Cortiça. Com essa pesquisa, os cientistas esperam fortalecer a qualidade da cortiça portuguesa e contribuir para uma economia mais verde, reafirmando a importância da ciência na preservação de um dos recursos naturais mais emblemáticos de Portugal.
Origem: Universidade do Porto






