Uma nova pesquisa realizada pela RISE-HEALTH revelou importantes desafios enfrentados por cerca de 600 homens em situação de reclusão em Portugal, destacando a saúde mental como um dos aspectos mais críticos. O estudo, liderado por Francisco Sampaio, especialista da Unidade de Investigação RISE-Health e docente da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, em colaboração com a estudante de doutoramento Mariana Alfaiate, analisou diversos fatores que influenciam o bem-estar dos reclusos.
Os resultados indicam que fatores modificáveis, como a prática de exercício físico e o contato regular com amigos e familiares, estão associados a níveis mais altos de resiliência entre os detentos. “Identificamos que as visitas familiares são vitais para o bem-estar mental dos reclusos, pois ajudam a manter laços sociais e oferecem um apoio emocional fundamental,” destaca Alfaiate.
A pesquisa, publicada na revista BMC Psychiatry, ressaltou que muitos prisioneiros enfrentam baixos níveis de resiliência mental e autoaceitação, afetados por variáveis sociodemográficas. Alfaita enfatiza que a resiliência pode ser promovida por intervenções focadas na regulação emocional e na construção de um suporte social robusto, lembrando também da necessidade de condições institucionais que diminuam os fatores de risco.
Além da promoção de atividade física e acesso a cuidados de saúde mental consistentes, a pesquisa aponta que reduções de violência e agressões no ambiente prisional são essenciais para melhorar o bem-estar e a resiliência dos reclusos. O estudo conclui com a proposta de garantir a continuidade do cuidado durante a transição para a comunidade, uma medida crucial para evitar recaídas e reinternamentos após a libertação.
Origem: Universidade do Porto






