A investigação sobre o legado de Guilherme de Santa-Rita, o conhecido Santa-Rita Pintor, avançou significativamente com os achados de Allian Fernando Santos Alves, um estudante de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP). Allian, que também possui experiência nas áreas de mediação cultural e criação artística contemporânea, descobriu um conjunto de documentos inéditos em um espólio privado localizado no Estoril, os quais sobreviveram ao famoso “auto de fé” promovido por Santa-Rita, que levou à destruição de sua própria obra.
Entre os documentos, destaca-se um retrato a lápis do Conselheiro do Rei, Augusto César Cau da Costa de Santa Rita, um integrante da família de Santa-Rita. O desenho, marcado por seu caráter intimista e inserido em uma correspondência pessoal, sugere uma conexão monárquica e institucional que a historiografia anterior não havia explorado, a qual, em grande parte, focava na figura do “futurista incendiário” e nas obras que conseguiram sobreviver.
Embora o desenho tenha passado brevemente por uma exibição regional, a falta de um catálogo oficial e de registro digital impediu que ele fosse acessível à comunidade científica global. Allian enfatiza que a dispersão desse patrimônio nacional, resultado da postura iconoclasta de Santa-Rita, dificulta permanentemente as pesquisas sobre o artista, contribuindo para que seu estudo tenha permanecido envolto em incertezas por décadas.
Além do retrato, Allian também encontrou uma carta manuscrita que o artista enviou de Paris à sua mãe, um documento que traz novos insights sobre a vida pessoal de Santa-Rita e suas experiências nas vanguardas europeias. A pesquisa do estudante, que pretende continuar em nível de mestrado, integra seu trabalho mais amplo sobre modernismo e artes performativas. Ele expressou a ambição de obter financiamento para expandir sua investigação e divulgar os resultados.
Outros achados no espólio incluem 34 reproduções de arquivos familiares, atualmente em processo de inventariação, que são consideradas essenciais para entender melhor a figura de Santa-Rita, revelando uma faceta do artista menos conhecida, que contrasta com a imagem popular de um “futurista excêntrico”.
Origem: Universidade do Porto






