O acesso à habitação na Espanha se transformou em um desafio monumental, conforme aponta um recente estudo realizado pela Keller Williams Espanha e Andorra. Segundo a pesquisa, para um lar típico, acumular o capital necessário para a compra de um imóvel nas principais capitais do país pode levar mais de uma década. Publicado em 15 de setembro de 2026, o estudo revela que o tempo de poupança varia consideravelmente, indo de 10,3 anos em Badajoz até 21,4 anos em Barcelona, com uma média nacional de 16,4 anos.
Esse fenômeno, descrito como um “muro do ahorro”, refere-se ao período que uma família precisa para reunir 20% do preço da casa, além dos impostos e custos de compra, poupando a uma taxa constante de 12% de sua renda líquida anual. É importante ressaltar que esse tempo não se refere ao período necessário para quitar a hipoteca, mas sim ao tempo necessário para acumular o adiantamento exigido para conseguir um financiamento de 80%. O estudo baseou suas estimativas em preços médios reais de transações autorizadas e na renda líquida média fornecida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Entre as cidades analisadas, Barcelona é a que apresenta o maior desafio, com um tempo de espera de 21,4 anos, seguida por San Sebastián com 21,0 anos e Madrid com 20,3 anos. Na capital espanhola, o preço médio de uma habitação é de 441.430 euros, o que implica que uma família precisaria economizar cerca de 121.400 euros, incluindo a entrada e outros custos associados. Leonardo Cromstedt, presidente da Keller Williams Espanha e Andorra, destaca a importância de entender que o preço anunciado é apenas uma parte da realidade, uma vez que uma família paga o preço de escritura, tributa de acordo com sua localização, e economiza conforme sua renda real.
Palma e Málaga também enfrentam desafios significativos, com expectativas de poupança de 19,7 e 18,9 anos, respectivamente. Málaga, por sua vez, é a cidade com a renda líquida média mais baixa entre as analisadas, alcançando apenas 36.640 euros, o que aumenta o tempo de economia necessário. Valencia e Sevilla apresentam períodos de espera de 16,2 e 13 anos, respectivamente, moldados pelos preços das habitações e pelos tipos tributários locais. Finalmente, Zaragoza, Valladolid e Badajoz completam o estudo com períodos de 11,6, 11,1 e 10,3 anos, mostrando números mais baixos, mas ainda significativos.
Cromstedt conclui enfatizando que a acessibilidade à moradia não deve ser avaliada apenas em termos de se a parcela da hipoteca se ajusta ao salário. Antes de qualquer negociação com instituições financeiras, os compradores devem superar uma “prova patrimonial”, que envolve ter dezenas de milhares de euros disponíveis, adicionando um nível de complexidade ao já difícil acesso à habitação.




