A inteligência artificial impulsiona a demanda por unidades de backup de bateria
Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial (IA) não apenas aumentou a demanda por chips e sistemas de refrigeração, mas também destacou um componente crucial que, até então, passava despercebido: as unidades de backup de bateria, conhecidas como BBU (backup battery units). Neste contexto, a fabricante taiwanesa DynaPack anunciou planos ambiciosos para expandir significativamente sua capacidade de produção de BBU, em resposta a essa tendência emergente.
De acordo com informações da DigiTimes, a DynaPack planeja triplicar sua capacidade de produção de BBU em suas fábricas em Taiwan e Tailândia, aumentando em 200% sua produção atual. Essa estratégia não é uma surpresa; a empresa já havia manifestado em seu relatório anual que pretendia se tornar uma das principais fornecedoras de baterias para BBU, associando o crescimento deste setor ao crescente investimento em centros de dados dedicados à IA.
Durante anos, a conversa sobre a energia em centros de dados focou principalmente na alimentação ininterrupta (UPS), geradores e eficiência. No entanto, a nova geração de racks de IA exige uma reavaliação da distribuição elétrica, com foco na gestão de cargas variáveis, picos de consumo e necessidades de densidade muito superiores às de anos anteriores. É nesse cenário que as BBU ganharam relevância, como forma de garantir proteção contra cortes de energia e sustentar a demanda crescente.
Em 2025, a DynaPack revelou que a adoção de BBU por operadores de centros de dados estava acelerando, impulsionada pela preocupação com a perda de dados e pela necessidade de uma proteção de comutação rápida. A empresa projetou que seus ganhos relacionados a BBU poderiam dobrar, alcançando cerca de 1,5 bilhões de dólares taiwaneses.
A importância das BBU é evidenciada também pelas inovações da NVIDIA. A empresa, que detalhou em 2025 sua plataforma GB300 NVL72, incorporou armazenamento de energia interno em suas fontes de alimentação, conseguindo diminuir a demanda média de pico durante o treinamento de modelos de IA. Isso indica uma mudança significativa na forma como os sistemas de IA são projetados, com o armazenamento de energia agora sendo parte fundamental da arquitetura elétrica.
Em um contexto industrial mais amplo, a expansão da DynaPack se alinha com uma crescente conscientização de que os gargalos relacionados à IA não se restringem apenas à escassez de GPUs ou à construção de salas limpas. A gestão de energia e a resiliência elétrica tornaram-se variáveis críticas para a operação eficiente de centros de dados.
A nova fase da corrida por energia vai além da simples adição de capacidade. As BBU estão se estabelecendo como componentes estratégicos dentro da infraestrutura crítica da IA, refletindo uma transformação na maneira como a indústria abordará o futuro da energia e da computação em larga escala.
Com a previsão de triplicar sua capacidade de produção, a DynaPack está se posicionando não apenas para atender à demanda atual, mas também para se antecipar às necessidades futuras do setor, consolidando sua relevância no ecossistema de infraestrutura de inteligência artificial.






