A representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Vanessa Frazier, apresentou um relatório ao Conselho de Direitos Humanos que revela avanços no combate ao recrutamento de crianças-soldado em vários países. Contudo, ela destacou a necessidade urgente de ações globais para proteger esta população vulnerável. O informe aponta 41.370 violações graves que afetaram 22.495 crianças em 2024, com foco em práticas como recrutamento, uso, abduções, assassinato e mutilação.
Conflitos armados prolongados, a urbanização da guerra e a emergência de novos atores armados têm agravado a situação, resultando em um ambiente de impunidade e escassez de recursos humanitários. O Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado, estabelecido pela Assembleia Geral da ONU em 1996, busca promover a proteção de crianças afetadas por essas circunstâncias, além de reforçar a importância da paz e dos direitos humanos.
No atual cenário, a ONU identificou 7.402 casos de recrutamento e uso de crianças por forças estatais e grupos armados não estatais. Os dados revelam uma persistência alarmante dessas violações, frequentemente vinculadas a assassinatos, mutilações, abduções e violência sexual. As regiões mais afetadas incluem Israel e os Territórios Palestinos, seguidas pela República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e Haiti.
Em Moçambique, um aumento significativo de 525% nas violações indica a gravidade da situação, levando a ONU a intensificar seus esforços, incluindo a capacitação das Forças Armadas locais para prevenir abusos e garantir os direitos humanos. Além disso, a ONU trabalha para promover protocolos que regulamentem a transferência de crianças ligadas a grupos armados para entidades civis.
A resposta da organização engloba treinamentos, planos de ação e programas de reintegração, com o histórico de mais de 220 mil crianças liberadas desde o início do mandato. Dada a gravidade crescente das violações e a necessidade premente de financiamento e apoio, a colaboração entre diversas agências da ONU, como o UNICEF e o Departamento de Operações de Paz, é fundamental para enfrentar essa crise. A implementação de medidas de monitoramento e a promoção de conformidade com o direito internacional continuam a ser prioridades chave na proteção das crianças em contextos de conflito.
Origem: Nações Unidas





