No último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta quinta-feira, especialistas alertaram sobre a grave diminuição das reservas de água doce no planeta. Os dados revelam que, no ano passado, cerca de 36% das bacias hidrográficas analisadas apresentaram fluxos de rios abaixo da média, o que representa o nível mais seco dos últimos 35 anos. Além da redução no volume de água dos rios, as geleiras estão recuando, agravando ainda mais a preocupação com a disponibilidade de água para a população e para as economias ao redor do mundo.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, comparou a água subterrânea, o gelo e a neve sazonal a uma “conta poupança do planeta”, que atua como uma proteção contra crises hídricas durante anos marcados por secas severas. No entanto, Saulo advertiu que essa conta está se esgotando. Dados coletados indicam uma tendência de queda no armazenamento de água na superfície desde 2014, com a perda acumulada de 1.400 gigatoneladas de água entre 2023 e 2025, volume equivalente a 560 milhões de piscinas olímpicas.
A situação das reservas de água subterrânea não é menos alarmante: quase dois terços dos poços monitorados ao redor do mundo estão apresentando níveis abaixo da média histórica, afetando regiões como o norte e centro-oeste do Brasil, várias áreas da Europa, o centro dos Estados Unidos, partes do México, e regiões na Ásia e na África.
Por outro lado, a OMM também alerta para o impacto do fenômeno climático El Niño, que está previsto para intensificar a frequência de eventos climáticos extremos, aumentando o risco de secas em algumas localidades e de inundações em outras. Para enfrentar essa crise hídrica crescente, a comunidade internacional será desafiada a implementar estratégias eficazes de gerenciamento de recursos hídricos e preservação ambiental.
Origem: Nações Unidas




