Após percorrer 8.262 quilômetros, o corredor e ativista ugandês-britânico Deo Kato se tornou a primeira pessoa a realizar a impressionante travessia da Cidade do Cabo, na África do Sul, até Londres, Reino Unido. A jornada, que durou um ano e meio, teve como principal objetivo chamar a atenção para o racismo e desafiar as narrativas negativas frequentemente associadas à migração.
Deo, que nasceu no Uganda e foi criado no Reino Unido, iniciou sua trajetória na corrida como uma busca por saúde e bem-estar. Com o tempo, essa atividade se transformou em um poderoso veículo de ativismo, onde sua determinação em enfrentar desafios extremos se revelou em corridas de longa distância, inclusive em climas opressivamente quentes na Austrália. Em um contexto global de crescente consciência sobre injustiça racial, ele decidiu utilizar a corrida como forma de gerar mudança. “Pensei que tinha de fazer alguma coisa. Pequena ou grande, queria usar a corrida para criar mudança e denunciar a injustiça racial”, afirmou.
Os 381 dias consecutivos em que correu dez quilômetros diários foram uma homenagem ao boicote aos ônibus de Montgomery, um marco no movimento dos direitos civis. Essa experiência reforçou sua liderança e convicção de que a resistência física pode se transformar em uma forma de ativismo focada na luta contra o racismo e na ampliação de discussões sobre migração e justiça.
O projeto de correr da Cidade do Cabo a Londres simboliza a antiga migração da África para o mundo, e ao longo do caminho, Deo Kato encontrou várias dificuldades, que vão desde terrenos difíceis até a percepção do público. Ele também se deparou com as barreiras enfrentadas por milhares de migrantes, que muitas vezes são tratados como irregulares, mesmo portando documentação válida. Sua experiência na Europa refletiu essa realidade, à medida que as detecções e os questionamentos aumentavam.
Apesar dos desafios, a jornada foi marcada pelo apoio das comunidades locais, que se uniram a ele em várias partes do trajeto, formando uma rede de solidariedade essencial. Deo reconhece que sem esse apoio, não teria conseguido completar essa travessia histórica.
Agora de volta a Londres, ele reflete sobre o impacto da sua conquista, que transcende uma simples prova de resistência física. Para Deo Kato, essa corrida foi um ato de resiliência e um chamado à ação, buscando recuperar uma narrativa sobre migração que enfatiza a força, o progresso e a dignidade humana.
Origem: Nações Unidas






