Na Dinamarca, a superpopulação de caranguejos, resultante da diminuição de predadores naturais devido à sobrepesca, está gerando preocupações ecológicas. Para lidar com esse desafio, os biólogos Leander Hessner e Happylan Natkunarajah fundaram a startup Decameal, com o objetivo de transformar esses animais em uma nova fonte de proteína marinha.
A Decameal iniciou suas operações em 2022, quando os fundadores construíram um laboratório dentro de um contêiner de carga, começando a processar caranguejos capturados acidentalmente por pescadores locais. A startup logo chamou a atenção de grandes produtores de ração e conseguiu levantar capital privado, permitindo a operação de uma planta piloto que pode processar até duas toneladas de caranguejos por dia.
O diferencial da Decameal está em seu processo inovador, que utiliza separação mecânica e térmica para maximizar o valor nutricional do caranguejo, transformando-o em ingredientes para aquicultura e ração animal, além de produzir quitina derivada do exoesqueleto que auxilia no fortalecimento de plantas contra doenças. Com essa abordagem, a empresa não só contribui para a redução do impacto ambiental da superpopulação de caranguejos, mas também oferece uma alternativa valiosa para o setor de nutrição animal.
Recentemente, a Decameal venceu na categoria de Bioresíduos Oceânicos no BlueInvest Day 2026, o que aumentou sua visibilidade entre investidores e expandiu sua rede de contatos. Até o momento, a empresa já garantiu cerca de 3 milhões de euros em subsídios e investimentos, e planeja uma rodada de investimento no final de 2027 para financiar uma planta capaz de processar até 40 mil toneladas de caranguejos por ano.
Em busca de investidores dispostos a comprometer capital em projetos que exigem altos investimentos, a Decameal se mantém fiel a princípios de sustentabilidade e ética. “Ainda somos biólogos e nossas decisões são guiadas pela ciência”, afirma Hessner, enfatizando o compromisso da empresa com um modelo de negócios responsável.
A iniciativa da Decameal reflete um movimento crescente em direção à economia azul, onde a inovação e a sustentabilidade são essenciais para enfrentar os desafios ambientais e promover um uso mais eficiente dos recursos marinhos.
Origem: Oceanos e pescas Europa





