Na ilha Terceira, nos Açores, a distância de 1.500 km do continente português torna a gestão de negócios um desafio, especialmente quando se trata de transportar peixe fresco para mercados distantes. Tibério Barbeito, um jovem empreendedor, decidiu enfrentar esse desafio e fundou a TZT Flying Fish Azores, com o objetivo de revitalizar a indústria de conservas da região. Dez anos após o início de sua jornada, com o apoio de fundos da União Europeia, Tibério transformou peixes locais em produtos gourmets enlatados.
Desde pequeno, Tibério mergulhou para coletar mariscos com seus primos, uma atividade que se tornou seu ganha-pão após obter uma licença profissional – uma das apenas 15 disponíveis na ilha. No entanto, quando a crise econômica fez os preços despencarem, ele começou a exportar mariscos. As dificuldades surgiram quando tentou garantir a qualidade do peixe fresco durante longas distâncias, uma tarefa mais complexa que a de assegurar a qualidade dos mariscos.
A inspiração veio de um documentário sobre salmão defumado do Alasca. Tibério começou a experimentar o defumado frio de espécies de peixes locais, testando as primeiras amostras com amigos e familiares. Com o tempo, ele decidiu diversificar suas atividades e entrou no ramo das conservas, o que exigia um investimento significativo. Apoiado pela Grater, um grupo de ação local de pescas, conseguiu um subsídio da EU que cobriu 75% dos custos do equipamento necessário para sua operação de conserva.
Os produtos enlatados da marca Casa do Portinho utilizam peixes frescos capturados pela frota local, incluindo xaréus, atuns-azuis e espécies exclusivas, como baca e raio, que não são encontradas em outros produtos enlatados do mundo. A mudança para a conservação não só duplicou a receita da empresa, mas também possibilitou a contratação de um segundo colaborador. Além disso, as conservas artesanais estão contribuindo para fortalecer a identidade da ilha, já que a empresa valoriza os peixes capturados de forma sustentável pela frota local.
Apesar dos desafios econômicos enfrentados em regiões mais afastadas, o apoio do Fundo Europeu Marítimo, de Pescas e de Aquicultura, e de grupos de ação local como a Grater, pode significar a diferença entre o crescimento de um negócio e a estagnação. Hoje, os produtos enlatados da Casa do Portinho estão disponíveis nas prateleiras da França, Espanha, Suíça e Estados Unidos, um verdadeiro testemunho do potencial de inovação e resiliência das comunidades insulares.
Origem: Oceanos e pescas Europa





