Nesta quinta-feira, durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, a vice representante especial do secretário-geral, Vivian van de Perre, abordou a crítica situação de segurança no leste da República Democrática do Congo (RDC). Van de Perre apelou para que as partes envolvidas no conflito honrem seus compromissos e trabalhem para diminuir a discrepância entre a diplomacia e a realidade vivida no terreno.
A representante chamou a atenção para o clima de tensão extrema na região e pediu avanços tangíveis em relação ao cessar-fogo, à reabertura do aeroporto de Goma e à proteção dos civis, que têm sido vítimas das hostilidades contínuas. Sua fala se deu logo após a revelação de Nada Al-Nashif, vice alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, que reportou a ocorrência de 2.560 abusos contabilizando 6.760 vítimas.
Entre os episódios documentados, estão cerca de 600 execuções sumárias nos últimos cinco meses, resultando na morte de mais de 1.300 pessoas, além de aproximadamente 1.500 sequestramentos. A violência inclui também casos de tortura, estupra e tratamentos desumanos, sobre os quais foram registradas 1.200 novas vítimas.
Vivian van de Perre enfatizou que a maioria das vítimas está concentrada nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Ituri e Maniema, e que os números reais podem ser ainda mais alarmantes. No âmbito da violência de gênero, cerca de 450 vítimas foram identificadas desde outubro, refletindo uma preocupante escalada, especialmente entre crianças, conforme relatórios do Unicef.
Bruno Lemarquis, vice-representante especial do secretário-geral para a RDC, reforçou a necessidade de que o Conselho de Segurança priorize a situação no país, monitorando as violações e apoiando o espaço cívico e os demais defensores dos direitos humanos.
A crise humanitária na RDC permanece entre as mais severas e negligenciadas globalmente, com 6,5 milhões de deslocados internos e 4,2 milhões de retornados, conforme dados de janeiro. A ONU destacou que a situação permanecerá crítica enquanto os recursos humanitários forem insuficientes para atender à crescente demanda da população afetada. Além disso, a escalada da violência resultou na morte de pelo menos 13 trabalhadores humanitários desde janeiro de 2025.
Origem: Nações Unidas





