A violência no Oriente Médio persistiu pelo quinto dia consecutivo, com intensos confrontos entre as forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além de relatos de ataques contra diversos países da região. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupações sobre a “multiplicação de novas frentes” de conflito, destacando o aumento do número de civis mortos e os impactos negativos na economia global, especialmente devido aos ataques à infraestrutura energética no Golfo.
Nesta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que não detectou danos a instalações nucleares no Irã durante os últimos ataques. No entanto, imagens de satélite mostraram danos significativos em edifícios próximos à usina de Isfahan, levando o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, a reiterar a necessidade de cautela para evitar um possível incidente radiológico. A agência busca assegurar que não há risco de liberação radiológica no momento, mas expressou preocupações sobre o estoque de urânio enriquecido no Irã e a dificuldade de acesso de seus inspetores.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, alertou que os serviços de saúde estão severamente afetados pelo conflito em andamento, com relatos de centenas de mortes, inclusive de profissionais da saúde. No Líbano, a situação é igualmente alarmante, após a morte de três paramédicos que tentavam resgatar vítimas de explosões no sul do país.
A Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre o Irã condenou os ataques de Israel e dos Estados Unidos, afirmando que eles contrariam a Carta da ONU. A missão expressou sua preocupação com o impacto sobre a população iraniana, que se vê entre uma campanha militar potencialmente prolongada e um governo com um histórico de violações de direitos humanos. A missão também pediu ao governo iraniano que levante o bloqueio das comunicações e da internet, que dificulta o acesso a informações vitais e o contato familiar.
O conflito também impacta severamente as crianças, com o Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança expressando sua profunda preocupação com a perda de vidas infantis e os ataques a infraestruturas civis. O UNICEF informou que sete crianças foram mortas e 38 feridas em recentes ataques aéreos no Líbano, que resultaram em deslocamentos em massa, com quase 60 mil pessoas forçadas a deixar suas casas.
A situação na fronteira entre o Líbano e a Síria também se tornou crítica. Autoridades sírias relataram um aumento significativo no número de pessoas cruzando a fronteira, com cerca de 11 mil refugiados, muitos deles famílias sírias, buscando segurança em meio ao conflito. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está se preparando para um possível aumento no fluxo de refugiados, oferecendo suporte através de centros comunitários e assistência a abrigos.
Origem: Nações Unidas






