A Missão da ONU encarregada de monitorar os direitos humanos na Ucrânia revelou que, desde a invasão em larga escala da Rússia em 24 de fevereiro de 2022, mais de 15 mil pessoas perderam a vida e pelo menos 41 mil civis ficaram feridos. O conflito não só resultou em um alto número de mortes, mas também provocou uma crise humanitária, forçando milhares de ucranianos a abandonar suas casas e devastando a infraestrutura do país. O tema será discutido hoje pelo Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, com a presença do secretário-geral António Guterres.
Nos primeiros meses de 2025, a situação humanitária se agravou significativamente, com autoridades ucranianas relatando um aumento recorde no número de mortes. Ao mesmo tempo, a população enfrenta ataques indiscriminados às redes de energia e outras infraestruturas, especialmente durante um inverno rigoroso. As interrupções no fornecimento de eletricidade forçaram muitos cidadãos, como Yana, uma colaboradora da agência Unops, a viver com apenas uma hora de eletricidade estável por dia, afetando principalmente crianças e idosos.
A situação climática se torna ainda mais crítica com temperaturas frequentemente abaixo de zero, que chegam a menos 20 graus Celsius. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que o ano passado foi o mais violento para as instituições de saúde na Ucrânia, com 2.882 ataques documentados a postos de saúde, refletindo um aumento significativo em relação a 2024.
Jorge Moreira da Silva, diretor-executivo do Unops, enfatizou a necessidade de um apoio substancial para ajudar a população a superar os traumas e a destruição causados pelo conflito. Ele reforçou o apelo da ONU por um cessar-fogo incondicional e por uma solução política pacífica, ressaltando que as violações graves do direito internacional humanitário, muitas vezes atribuídas a autoridades russas, permanecem sem punição. O aumento de relatos de execuções de prisioneiros e a documentação de maus-tratos de detidos por ambos os lados do conflito têm intensificado as preocupações relativas à segurança e aos direitos humanos na região.
António Guterres afirmou que a guerra representa uma mancha na consciência coletiva e uma ameaça à paz regional e internacional, reiterando que quanto mais longa a guerra, mais letal ela se tornará. O líder da ONU continua a exigir um cessar-fogo incondicional como uma primeira etapa crucial para alcançar uma paz justa baseada na Carta da ONU.
Origem: Nações Unidas






