O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgou alarmantes informações sobre a situação das crianças na região de Kherson, Ucrânia, onde a guerra tem causado um impacto devastador nas famílias. Com o conflito se aproximando de cinco anos, lágrimas e sofrimento marcam a infância de cerca de 2,6 milhões de crianças deslocadas. Muitas delas vivem em constante estado de medo e são obrigadas a estudar e dormir em abrigos subterrâneos, em busca de proteção contra os ataques.
O representante do Unicef na Ucrânia, Munir Mammadzade, descreveu Kherson como um cenário de sobrevivência, com redes anti-drones cobrindo áreas urbanas e a rotina diária das crianças adaptando-se a um novo normal repleto de insegurança. Ele mencionou o caso de Kateryna, que teve que fugir para o corredor de sua casa com seus filhos durante um ataque que deixou Daria, de 16 anos, e Artem, de 8 anos, feridos, além de precisar de cirurgia.
A agência também alertou que o deslocamento forçado se tornou um fenômeno comum, com um em cada três adolescentes entre 15 e 19 anos movendo-se pelo menos duas vezes devido à insegurança. Além disso, o cenário se torna ainda mais preocupante à medida que os ataques em diversas partes do território aumentam.
Os dados revelam que, desde o início da guerra em fevereiro de 2022, mais de 3.200 crianças perderam a vida ou ficaram feridas. O impacto na educação é igualmente alarmante, com mais de 1.700 escolas danificadas ou destruídas, obrigando um em cada três alunos a perder o acesso regular às aulas. As recentes investidas contra a infraestrutura energética deixaram milhões de famílias sem aquecimento, eletricidade e água, aumentando o risco de doenças respiratórias, especialmente entre os mais jovens.
O Unicef destacou o aumento da pressão sobre a saúde mental das crianças e adolescentes, que enfrentam um contínuo estado de estresse e angustiante incerteza sobre o futuro. Um em cada quatro jovens expressa perda de esperança em permanecer na Ucrânia. Neste contexto, a diretora regional do Unicef, Regina De Dominicis, enfatizou a necessidade urgente de garantir a proteção das crianças e respeitar as normas internacionais humanitárias.
Origem: Nações Unidas






