Desde o ano 2000, a incidência e a duração das secas aumentaram em 29%, segundo dados das Nações Unidas. Essa tendência alarmante pode afetar até um quarto da população mundial até 2053. A Mongólia é um dos países mais atingidos por este fenômeno climático e, atualmente, sedia a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, que acontece até 28 de agosto em sua capital, Ulan Bator.
Durante a abertura do segmento de alto nível do encontro, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, destacou a importância da terra, que é vital para a subsistência, especialmente para povos nômades e indígenas. Em seu discurso, Amina relembrou a grave consequência da seca severa enfrentada pela Mongólia em 2023 e 2024, que resultou na perda de mais de 7 milhões de cabeças de gado, devastando rebanhos que foram criados ao longo de gerações. Para muitas famílias, essa tragédia significou não apenas a perda de riqueza, mas a iminente dificuldade de superar a próxima estação difícil.
A vice-líder da ONU salientou que a situação na Mongólia reflete um problema global, com 40% das terras do planeta degradadas, o que compromete a produção de alimentos e os meios de subsistência. Ela enfatizou que projetos individuais podem mostrar eficácia, mas são insuficientes para restaurar extensas áreas de terra num curto espaço de tempo. Urge, portanto, a implementação de planos nacionais que garantam que ninguém fique para trás. Mais de 70 países já iniciaram essa tarefa, com apoio da Convenção da ONU de Combate à Desertificação (Unccd).
Amina também enfatizou a importância de ouvir e incluir pastores e agricultores no planejamento das soluções para a desertificação. Para isso, seus direitos devem ser garantidos, e eles precisam ter voz nas decisões que moldarão o futuro das terras. Ela destacou a necessidade de garantir acesso a empregos qualificados, novas fontes de renda e uma rede de proteção social para essas comunidades.
A COP17 congrega governos e especialistas na busca de soluções para os desafios da desertificação, degradação da terra e seca. Os debates atuais focam na restauração de terras como uma medida crucial para reduzir a instabilidade, evitar deslocamentos populacionais e aumentar a segurança humana e nacional em áreas vulneráveis.
Origem: Nações Unidas






