Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, liderada por Alexandra Moreira e José Bessa, fez uma descoberta significativa ao identificar uma pequena sequência de RNA mensageiro que desempenha um papel crucial na regulação da atividade genética, com implicações importantes em doenças neurológicas e câncer. O estudo foi publicado na respeitada revista científica Nucleic Acids Research.
A pesquisa revelou que essa curta sequência de RNA mensageiro, embora não produza proteínas, é essencial para controlar a quantidade de proteínas que as células製 fazem. A sequência, embora diminuta e vulnerável a desaparecer ao longo do tempo, persiste no código genético de várias espécies, incluindo moscas, peixes, ratos e humanos, ao longo de centenas de milhões de anos.
Ao realizar experimentos com embriões de peixe-zebra, um modelo amplamente utilizado na pesquisa biomédica, a equipe observou que alterações nesta sequência genética causaram problemas no desenvolvimento embrionário, sublinhando a sua importância biológica. Além disso, os pesquisadores descobriram uma conexão direta entre essa sequência e várias doenças humanas, incluindo a Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Os cientistas também identificaram uma variante genética associada ao câncer colorretal que contém essa sequência, a qual, por sua vez, potencializa a atividade de um oncogene. Essa descoberta sugere que a sequência de RNA mensageiro pode se tornar uma nova estratégia terapêutica para o tratamento de diversas doenças.
De acordo com os autores do estudo, a pesquisa enfatiza como pequenas modificações no material genético, que não codificam proteínas, podem impactar significativamente a saúde humana. O trabalho oferece uma compreensão aprofundada dos mecanismos que originam doenças congênitas e câncer, abrindo novas perspectivas para futuros tratamentos. Essa investigação também destaca a relevância da ciência fundamental na identificação de processos biológicos essenciais e no aprimoramento do conhecimento sobre a saúde.
Origem: Universidade do Porto






