A China aprovou seu XV Plano Quinquenal para 2026-2030, mirado especialmente pela perspectiva tecnológica. O governo de Pequim pretende mudar o foco do crescimento do país, reduzindo a dependência do setor imobiliário e intensificando os investimentos em Inteligência Artificial (IA), chips, centros de dados e indústrias avançadas. O documento, validado na Assembleia Popular Nacional e divulgado por meios oficiais, não serve apenas como uma diretriz econômica, mas também como uma declaração de ambição industrial e tecnológica para os próximos anos.
O centro da proposta é o conceito de “desenvolvimento de alta qualidade”, que, em termos tecnológicos, significa aumentar a produtividade, fomentar inovações próprias e diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras em setores críticos. O plano visa não apenas a produção em maior escala, mas o domínio das camadas estratégicas da cadeia produtiva, abarcando desde a pesquisa e desenvolvimento até a comercialização.
Dentre os objetivos mais ambiciosos, está o aumento do investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que deverá crescer pelo menos 7% ao ano de 2026 a 2030. Além disso, as indústrias centrais da economia digital devem representar 12,5% do PIB ao final do período. Esses números ilustram bem a nova direção da China, que busca não apenas mais recursos para ciência e tecnologia, mas também um peso maior da economia digital no crescimento nacional.
Outro aspecto destacado pelo plano é a intensa ênfase dada à Inteligência Artificial, mencionada mais de 50 vezes ao longo do documento. A estratégia conhecida como “AI Plus” não se limita apenas a modelos de software, mas abrange áreas como computação quântica, biomedicina e robótica. A intenção é clara: a China deseja se estabelecer como líder em praticamente todos os pilares da próxima revolução industrial.
No setor de semiconductores, o plano também é contundente. Enquanto o discurso oficial centra-se na autosuficiência tecnológica, autoridades do setor destacaram a necessidade de apoio para lidar com gargalos em litografia, design e materiais essenciais, enfatizando a urgência em reduzir vulnerabilidades diante da rivalidade tecnológica, especialmente com os Estados Unidos.
Para sustentar esse salto tecnológico, a China também focará na infraestrutura digital, que inclui o fortalecimento do mercado nacional de dados e a ampliação das capacidades de computação. O objetivo é criar um ambiente propício para a adoção industrial de novas tecnologias, garantindo que a pesquisa seja efetivamente transformada em produção.
Outro ponto crucial é a questão energética. O plano estabelece a meta de cortar em 17% as emissões de CO₂ por unidade de PIB entre 2026 e 2030, além de aumentar a participação de fontes de energia não fósseis para 25% do consumo total. Esse aspecto é fundamental para o setor tecnológico, pois sem uma infraestrutura energética adequada, a implementação de fábricas avançadas e a exploração de novas cadeias de suprimento tornam-se inviáveis.
Com essa abordagem integradora, a China não está apenas delineando um plano econômico, mas criando uma plataforma de poder tecnológico para os próximos cinco anos. A combinação de IA, indústria, dados, energia e um grande mercado interno sugere que Pequim busca competir não apenas em custos, mas na capacidade de controlar ecossistemas completos. Essa realidade poderá ter implicações significativas para a Europa, Estados Unidos e o restante da Ásia, refletindo a importância do novo plano chinês no cenário global.






