A Segunda Década para Pessoas Afrodescendentes, que teve início em 1º de janeiro de 2023 e se estenderá até 31 de dezembro de 2034, foi destacada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em uma mensagem especial para o Dia Internacional dedicado ao tema, comemorado em 31 de agosto. Guterres enfatizou a necessidade de ação em prol da justiça, dignidade e igualdade, ressaltando as contribuições significativas que os afrodescendentes têm oferecido em diversas áreas, ao mesmo tempo em que reconheceu as “injustiças persistentes” que enfrentam.
O secretário-geral também abordou as heranças profundas da escravidão e do colonialismo, que se manifestam em formas de racismo sistêmico e desigualdade econômica e social. Um dos pontos críticos destacados foi a exclusão digital, com Guterres afirmando que preconceitos raciais estão presentes até mesmo em algoritmos tecnológicos.
Em uma conversa com a ONU News, a especialista do Unfpa, Anna Cunha, enfatizou que a exclusão no acesso à informação é um desafio particular para mulheres e meninas afrodescendentes. Ela alertou para o impacto de desigualdades raciais e sociais, citando que a gravidez na adolescência representa 12% de todas as ocorrências no Brasil. Cunha destacou que, apesar de alguns avanços na coleta de dados sobre saúde materna desagregados por etnia e raça, ainda há uma necessidade urgente de garantir uma comunicação acessível que envolva os jovens nas políticas públicas.
Guterres, ao lembrar que se passaram 80 anos desde a fundação das Nações Unidas, sublinhou a importância de reafirmar a igualdade de direitos para todos os seres humanos e de corrigir erros históricos. A ONU condenou práticas violentas excessivas de agentes de segurança contra africanos e afrodescendentes, reafirmando a urgência de ações concretas durante esta nova década, que visa promover a equidade e a inclusão.
Origem: Nações Unidas