Durante a CES 2026 em Las Vegas, a Canonical, empresa responsável pelo sistema operacional Ubuntu, fez um anúncio significativo: o suporte oficial para a plataforma NVIDIA Rubin. Esta iniciativa inclui a compatibilidade com os sistemas Vera Rubin NVL72 em escalas de rack e a colaboração para distribuir os novos modelos abertos NVIDIA Nemotron-3 em formatos de fácil instalação.
Embora pareça um comunicado corporativo, a realidade que se impõe é que, à medida que a Inteligência Artificial (IA) deixa de ser apenas um protótipo para se tornar uma solução massificada, a complexidade operacional aumenta consideravelmente. Nesse contexto, o sistema operacional se transforma em uma parte integral do desempenho, segurança e, principalmente, da operação diária.
De acordo com a Canonical, a Ubuntu servirá como um “substrato” que unificará as tecnologias da NVIDIA — incluindo a CPU Vera, a GPU Rubin e a DPU BlueField-4 — em um único ambiente de execução. Isso é crucial para facilitar a implementação de nuvens privadas e soberanas, uma tendência crescente na Europa.
Outro aspecto curioso do anúncio de Canonical é o suporte robusto ao processador Arm. A empresa afirma que no Ubuntu 26.04, o Arm terá paridade de desempenho em relação ao x86, especialmente relevante à medida que os CPUs Vera (personalizados em Arm) irão coexistir com as GPUs Rubin em arquiteturas integradas.
As novas funcionalidades, como a virtualização aninhada e o particionamento e monitoramento de recursos de memória (MPAM), prometem melhorar a experiência em ambientes multi-inquilinos, permitindo que diferentes usuários compartilhem recursos computacionais sem comprometer a performance.
Além disso, a Canonical destaca que o Ubuntu será a base para o NVIDIA Mission Control, um software que visa acelerar operações do ciclo completo de serviços em nuvem, resultando em uma operação mais padronizada e eficiente.
A promessa de Canonical de simplificar a distribuição e instalação de modelos de IA também chama a atenção. Através dos “inference snaps”, a empresa busca eliminar os desafios tradicionais de dependências e conflitos de bibliotecas, permitindo uma instalação com apenas um comando.
Com o foco na infraestrutura de dados, a empresa reforça a importância do BlueField-4 como um componente essencial, prometendo um desempenho notável sem introduzir gargalos no processamento. A estratégia delineada por Canonical busca uma industrialização do stack de IA, onde hardware heterogêneo e automação operacional se tornam a norma em ambientes de alto desempenho, com uma forte ênfase em segurança e controle.
Este movimento enfatiza que no futuro, não será suficiente ter apenas potência bruta; a verdadeira vitória no mundo da IA em 2026 será alcançada por aqueles que conseguem transformar essa potência em uma infraestrutura robusta, controlável e sustentável.






