Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelam que a província de Cabo Delgado, em Moçambique, enfrenta uma nova onda de deslocamentos forçados, com mais de 7 mil pessoas obrigadas a abandonar suas casas desde o final de setembro devido à violência de grupos armados não estatais. Cerca de 80% dos deslocados são mulheres e crianças, totalizando 7.029 indivíduos em apenas um mês. A situação é alarmante, com muitos carregando traumas profundos e apresentando um estado de vulnerabilidade extrema.
Somente nas últimas duas semanas de outubro, das 970 pessoas que buscavam abrigo, 584 eram crianças, enquanto 386 eram mulheres. As condições de vida desses deslocados são críticas. A OIM registrou a presença de 87 gestantes, 58 idosos, 18 pessoas com deficiência e quatro crianças que estão desacompanhadas.
Dana Graber Ladek, chefe do escritório da OIM em Moçambique, enfatizou a urgência da assistência humanitária, destacando que alimentos, abrigo e cuidado de saúde são essenciais para salvar vidas. Sem o apoio adequado, a situação dessas famílias e das comunidades que as acolhem poderá se tornar ainda mais desesperadora.
A crise de segurança em Cabo Delgado já se sobrepõe a uma emergência alimentar, com 88% das famílias relatando fome como sua principal preocupação. Além disso, eles enfrentam a falta de moradia digna e dificuldades no acesso a serviços de saúde. A OIM está atuando para fornecer assistência emergencial, incluindo a distribuição de abrigo e itens básicos, serviços de saneamento e apoio psicológico, juntamente com esforços para promover a paz a longo prazo. Por meio de sua Matriz de Monitoramento de Deslocamento, a agência está mapeando os fluxos de deslocados para garantir que a ajuda chegue onde é mais necessária.
Origem: Nações Unidas






