O sonho de ter uma casa com jardim e piscina, que durante décadas representou a aspiração da classe média na Austrália, está se tornando cada vez mais inatingível. Os preços das casas nas grandes cidades, especialmente em Sydney, onde o custo médio é de 1,3 milhão de dólares australianos, têm dificultado a aquisição do primeiro imóvel para muitos australianos. De acordo com a imobiliária Cotality, essa realidade levou o Governo australiano a anunciar um pacote de reformas tributárias, que é considerado o mais abrangente em 25 anos, com a intenção de corrigir as distorções criadas por incentivos fiscais que beneficiaram investidores em detrimento de compradores de primeira viagem.
As reformas visam alterar dois mecanismos tributários fundamentais que influenciaram o mercado imobiliário australiano. O primeiro, conhecido como ‘negative gearing’, agora será limitado a imóveis de nova construção, eliminando os incentivos para investimentos em propriedades usadas. Além disso, a bonificação de 50% sobre os ganhos de capital na venda de imóveis será substituída por um sistema de indexação ajustado à inflação, com uma taxa mínima de 30%. Esses ajustes têm como objetivo tornar o mercado mais acessível aos jovens compradores, embora críticos argumentem que tal mudança pode reduzir o investimento privado e, consequentemente, a oferta de habitação.
Em resposta aos possíveis efeitos negativos das reformas, o Governo também anunciou um fundo de 2 bilhões de dólares australianos para financiar infraestruturas que facilitarão o desenvolvimento de novas habitações. Com essa medida, espera-se construir 65.000 novas casas, parte de um ambicioso plano que visa erguer 1,2 milhão de casas na próxima década. Contudo, especialistas alertam que, sem uma abordagem eficaz para a escassez de habitação, mesmo as reformas tributárias mais ousadas não serão suficientes para resolver a crise do mercado imobiliário australiano.
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