Arm alcançou um novo marco financeiro e estratégico ao anunciar que superou a marca de 1.000 milhões de dólares em receitas por quatro trimestres consecutivos. Este desempenho não só consolida o melhor momento da empresa desde sua volta às bolsas, mas também reforça uma visão que a companhia quer estabelecer no mercado: a Inteligência Artificial (IA) não é mais apenas um fenômeno limitado à nuvem, mas sim uma realidade distribuída entre data centers, edge e dispositivos físicos.
Na carta aos acionistas referente ao terceiro trimestre do exercício fiscal de 2026, encerrado em 31 de dezembro de 2025, a Arm reportou um crescimento anual de 26%, alcançando 1.240 milhões de dólares. Esse resultado é impulsionado por dois principais motores: o negócio de royalties, que atingiu um recorde de 737 milhões de dólares, e o segmento de licenças e outros ingressos, que subiu para 505 milhões. Esse crescimento indica que não apenas mais chips equipados com tecnologia Arm estão sendo vendidos, mas também que a empresa está conseguindo cobrar um valor maior por chip, devido a acordos mais robustos.
Um dos principais impulsionadores desse crescimento foi a evolução do Arm Compute Subsystems (CSS), que vai além da simples licenciamento de uma CPU isolada. Essa abordagem integra blocs e subsistemas completos em um pacote, o que acelera o design de chips e reduz sua complexidade. A demanda por CSS tem superado as expectativas, contribuindo assim para um aumento na participação econômica que a Arm consegue capturar a cada chip vendido. A companhia anunciou a assinatura de duas novas licenças CSS voltadas para tablets de IA no edge e smartphones, elevando o total para 21 licenças CSS em 12 empresas. Atualmente, cinco clientes já estão enviando chips baseados em CSS, sendo que dois deles utilizam a plataforma de segunda geração, destacando que os quatro principais fabricantes Android já estão comercializando dispositivos impulsionados por essa tecnologia.
No que diz respeito aos data centers, a Arm reforçou sua posição sobre a transformação desse setor impulsionada pela IA. A mudança está levando à demanda por CPUs com muitos núcleos eficientes, capazes de suportar cargas de trabalho que exigem operação constante, mantendo um controle rigoroso dos custos energéticos. Neste contexto, a Arm anunciou que suas CPUs Neoverse já superaram 1.000 milhões de núcleos implantados, com uma expectativa de que sua participação entre os grandes hyperscalers se aproxime de 50%. A empresa citou o lançamento da nova geração de silício de gigantes como AWS, NVIDIA e Microsoft, que estão desenvolvendo suas próprias CPUs baseadas em Arm, incrementando significativamente sua capacidade de processamento.
No cenário prático, Arm também busca se posicionar como uma “plataforma comum” para o avanço da “IA física”, abrangendo aplicações em automação, robótica e sistemas autônomos. A companhia destacou sucessos como o anúncio do Rivian sobre seu “Autonomy Computer de terceira geração”. Além disso, mencionou o robô humanoide “Optimus” da Tesla, que utiliza um processador de IA personalizado baseado em Arm, e o ecossistema de robótica que se baseia em plataformas de terceiros, como NVIDIA Jetson Thor e Qualcomm Dragonwing, beneficiando a Arm como a infraestrutura subjacente para computação em IA física.
Arm está, portanto, passando por uma transição de um modelo de venda de propriedade intelectual por partes para um de plataforma completa, capturando valor em uma era onde o design de chips se torna cada vez mais complexo e caro. Com seu forte posicionamento, a Arm se prepara para 2026 com uma vantagem clara: sua tecnologia está disseminada em diversos setores, e sua estratégia se concentra em monetizar essa onipresença. Em um mercado caracterizado por tensões nos custos de componentes e mudanças nas prioridades de investimento provocadas pela IA, a empresa destaca-se com uma proposta de valor robusta e adaptada às novas demandas do setor.





