A América Latina e o Caribe continuam a enfrentar desafios significativos na segurança alimentar, mesmo após a redução contínua dos níveis de subnutrição nos últimos quatro anos. De acordo com um relatório da ONU, publicado na semana passada, a região viu 6,2 milhões de pessoas saírem da condição de fome desde 2020. No entanto, a obesidade afeta 29,9% dos adultos, quase o dobro da média global, revelando uma grave discrepância na nutrição.
O Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutricional 2025 indica que, em 2024, a taxa de fome foi reduzida a 5,1% da população, comparada aos 6,1% de 2020. O Brasil, juntamente com Costa Rica, Guiana e Uruguai, já apresenta índices de fome abaixo de 2,5%, enquanto Chile e México estão próximos a esse marco. A América do Sul liderou a melhoria geral, com uma taxa média de fome de 3,8%, quase um ponto percentual a menos em relação ao ano anterior.
Entretanto, a situação no Caribe permanece crítica, especialmente no Haiti, onde 54,2% da população enfrenta subnutrição. A insegurança alimentar moderada ou severa afetou 25,2% da população na região, uma diminuição em relação aos 33,7% de 2020, mas ainda assim acima da média global de 28%. Além disso, uma disparidade de gênero persistente é observada, com as mulheres apresentando índices de insegurança alimentar significativamente mais altos que os homens.
Embora o custo de uma dieta saudável na região tenha aumentado 3,8% em 2024, tornando-se a mais cara do mundo, com um custo diário de US$ 5,16, 15,4 milhões de pessoas conseguiram acessar esses alimentos em comparação a 2021. No entanto, ainda existem 181,9 milhões de pessoas incapazes de arcar com esses custos, destacando a necessidade urgente de ação.
Entre as crianças menores de cinco anos, a taxa de sobrepeso atingiu 8,8%, superando as metas globais para 2030. A ONU enfatiza a necessidade de políticas abrangentes que abordem desigualdades de gênero, melhorem o acesso a alimentos nutritivos e combatam a obesidade, especialmente entre as crianças, alertando que “não podemos falar de progresso real enquanto as lacunas continuarem a deixar milhões de pessoas para trás”.
Origem: Nações Unidas






