O mercado de servidores inicia 2026 com uma sinalização que antecipa mudanças de ciclo: a capacidade de CPUs “de uso geral” está se tornando um recurso escasso, especialmente em um momento em que muitas empresas acreditavam que o grande gargalo da era da inteligência artificial estava restrito às GPUs.
De acordo com análises de cadeias de suprimento e observações de especialistas publicadas em diversos meios de comunicação, a maior parte do volume de CPUs de servidores previsto para 2026 já estaria comprometida, em grande parte devido à demanda das grandes plataformas de nuvem, conhecidas como hyperscalers. Nesse contexto, tanto a AMD quanto a Intel estão considerando aumentar os preços na faixa de 10% a 15% a partir do primeiro trimestre de 2026, mais como um ajuste em relação à disponibilidade do que uma estratégia comercial simples.
### Boom dos Servidores Tradicionais
A narrativa pública nos últimos meses girou em torno de aceleradores, interconexões e embalagem avançada. No entanto, a demanda por servidores tradicionais também se reativou fortemente, impulsionada por três razões que aparecem frequentemente nas estimativas do setor: um ciclo de renovação em direção às últimas gerações de CPUs (como EPYC “Turin” e Xeon “Granite Rapids”), o crescimento da inferência em IA, que exige grandes implantações de CPUs, memória e armazenamento, e um “catch-up” de investimentos que havia sido interrompido durante a concentração de gastos em IA.
O resultado é um mercado onde os clientes que planejam com antecedência, como as empresas de nuvem, asseguram o fornecimento, enquanto aqueles que compram tardiamente, como muitas empresas tradicionais, enfrentam prazos, preços e opções menos favoráveis.
### Competindo por Disponibilidade
Quando um fabricante tem sua produção futura muito comprometida, o preço deixa de ser um “desconto para ganhar mercado” e passa a funcionar como uma ferramenta de racionamento. Essa lógica é refletida na análise de especialistas: se a demanda supera a oferta e os grandes clientes já garantiram grandes parcelas dos produtos, a negociação se torna mais difícil para os outros.
Do ponto de vista das compras, isso muda o cenário: plazos de aquisição se estendem, há menos flexibilidade para esperar pela próxima geração caso o lançamento não possa ser adiado, e maior pressão por alternativas, como reutilização de hardware, contratos de nuvem ou arquiteturas mistas.
Na Europa, já há relatórios nos meios tecnológicos indicando que 2026 não será um ano “confortável” para a compra de CPUs de servidores, a menos que o planejamento esteja bem adiantado.
### Previsões do Mercado
Ainda sem confirmação oficial dos fabricantes sobre preços exatos, as estimativas de envios e crescimento estão moldando o relato de um mercado em aceleração. Espera-se uma elevação de preços das CPUs de servidores entre 10% e 15% no primeiro trimestre de 2026, com um crescimento de 16% a 17% nos envios de servidores e cerca de 25% nos envios de nuvem.
Essas previsões devem ser lidas como projeções e não como orientações oficiais da AMD ou Intel.
### Implicações para Empresas e Parceiros em 2026
Para as empresas, mais importante do que saber se os preços vão subir é entender quem terá poder de negociação e como se redistribuirá a margem. Fabricantes com capacidade comprometida e provedores de nuvem que transferem custos por meio de tarifas garantidas sairão ganhando, enquanto empresas que compram “just in time” ou que necessitam de configurações muito específicas enfrentarão dificuldades.
Ao mesmo tempo, esse cenário reafirma uma verdade desconfortável: a infraestrutura não relacionada à IA também está se encarecendo devido à competição por capacidade industrial e orçamentos.
É crucial que empresas se preparem para as compras de servidores em 2026, fechando planejamentos antes, negociando com antecipação e considerando a consolidação de cargas e arquiteturas híbridas para lidar com picos de demanda.






