A escalada de violência nas regiões de Darfur e Kordofan continua a gerar grande preocupação na Organização das Nações Unidas (ONU). O Escritório para os Assuntos Humanitários informou que os recentes ataques com drones estão cada vez mais expondo os civis a riscos e ameaças, o que levou a uma discussão no Conselho de Segurança sobre a situação crítica na África Central.
Desde o início do conflito, em 2023, mais de 1,2 milhões de pessoas, entre refugiados, requerentes de asilo e cidadãos chadianos repatriados, chegaram ao Chade fugindo da violência no Sudão. No leste do país, a superlotação dos campos de refugiados está pressionando os serviços básicos, o que aumenta os riscos de desnutrição e a ocorrência de epidemias. De acordo com a ONU, mais de 7 milhões de pessoas necessitam urgentemente de assistência humanitária, mas o plano de intervenção para 2025 têm recursos financeiros apenas em 26,4% do necessário.
Na última segunda-feira, ataques na cidade de Kutum e em Kabkabiya, no estado de Darfur do Norte, resultaram na morte de dois civis e ferimentos em outros dez. Na mesma data, áreas na capital do Darfur do Sul, Nyala, e na cidade de Katila foram alvos de bombardeios aéreos.
As Forças de Apoio Rápido (RSF) tomaram controle do maior campo petrolífero do Sudão, localizado na cidade de Heglig, em Kordofan Ocidental, provocando um novo êxodo de pessoas e aprofundando as crises humanitárias. Muitas famílias estão sendo deslocadas pela segunda vez em meio a essa nova onda de violência.
Recentemente, o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, compartilhou a história de uma mulher deslocada que atravessou a “estrada mais perigosa do mundo” para salvar seu bebê de dois meses, após perder seus vizinhos e familiares para os conflitos. Ele elogiou a coragem da mulher, que apesar dos terrores enfrentados, mantinha a esperança na humanidade.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) reporta que cerca de 185 pessoas fugiram da cidade de Kadugli, em Kordofan do Sul, devido ao aumento da insegurança, buscando abrigo em áreas mais seguras. Somente em Darfur, a Rede de Médicos do Sudão alertou que aproximadamente 19 mil pessoas estão isoladas pelas RSF, vivendo em condições severas de detenção.
A ONU reafirmou seu apelo para o fim dos ataques contra civis, reiterando a necessidade de respeito ao direito internacional humanitário e garantindo acesso humanitário seguro e irrestrito nas regiões afetadas.
Origem: Nações Unidas





