Durante o Mobile World Congress (MWC) 2026, em Barcelona, o foco das discussões sobre Inteligência Artificial (IA) se desviou das simples interações de chat para ações concretas. As empresas do setor já não concorrem apenas para ver quem responde melhor a comandos, mas sim quem consegue implementar tecnologias que garantam a execução de tarefas reais, ao mesmo tempo em que protegem a privacidade, o consumo de energia e a segurança. Essa mudança ficou evidente em dois anúncios distintos, mas que convergem para um mesmo objetivo: o desenvolvimento de agentes capazes de operar localmente, com menor dependência da nuvem e sem necessidade de integrações específicas por aplicativo.
A primeira notícia, divulgada pela DIGITIMES, trata da parceria entre a AGI e a Qualcomm Snapdragon. Juntas, as empresas pretendem otimizar a tecnologia de agentes “app-agnostic” (agnósticos em relação a aplicativos) em dispositivos que utilizem chips Qualcomm. Uma demonstração ao vivo está prevista para ocorrer durante o congresso. A segunda parte da novidade envolve a apresentação de uma fábrica autônoma, desenvolvida pela Qualcomm em parceria com a Siemens, onde a IA opera localmente em hardware industrial, controlando robôs e veículos guiados por uma rede 5G privada.
A essência dessas inovações é clara: o verdadeiro valor da IA vai além da simples “pensamento” para englobar a “operação”, tudo com um enfoque que prioriza a privacidade e a execução local.
No âmbito do “uso de computador” em dispositivos, a colaboração entre AGI e Snapdragon se concentra em criar IA que possa interpretar o que aparece na tela, compreendendo o contexto e executando ações dentro de aplicativos sem a necessidade de APIs específicas. Esse conceito, conhecido como “computer-use”, busca desenvolver agentes que possam navegar em interfaces digitalmente, como um usuário real faria, identificando botões, formulários e menus, e seguindo etapas de execução.
A proposta da AGI visa adaptar uma arquitetura híbrida de agentes a processadores Snapdragon, permitindo que gradualmente “todo o conjunto” funcione localmente no dispositivo. A iniciativa promete beneficiar o ecossistema em diferentes frentes: oferecendo aos fabricantes a oportunidade de integrar capacidades agénticas em nível de plataforma, aos desenvolvedores a possibilidade de expor funções sem a necessidade de criar integrações individualizadas, e aos usuários, mais personalização e automação com um menor risco de exposição de dados.
Simultaneamente, a Qualcomm, em parceria com a Siemens, demonstrou uma nova abordagem à automação industrial focada em IA local, através de uma rede 5G privada. O projeto apresentado inclui veículos guiados e braços robóticos, todos operando em tempo real com um agente de IA que analisa a situação do sistema e sugere ações corretivas sem depender de sistemas centralizados. A utilização de uma Siemens industrial PC junto com a Qualcomm Cloud AI 100 Accelerator Card permite que a IA opere em um ambiente onde a latência e a soberania dos dados sejam prioritárias.
Essas inovações destacam uma tendência emergente na indústria: a necessidade de células de produção distribuídas e uma nova abordagem à robótica móvel, onde a conectividade precisa ser confiável e a IA deve operar próxima aos processos para garantir reações rápidas.
Em resumo, tanto os agentes móveis quanto os utilizados em ambientes industriais compartilham o mesmo objetivo de transferir inteligência para o “perífero” e reduzir dependências da nuvem. Isso resulta em experiências mais privadas no consumo e mantém dados sensíveis no local em ambientes industriais, sempre com a assistência de 5G privado e IA na borda como motor de decisão.
No entanto, desafios persistem em garantir a confiabilidade e segurança dos sistemas, tanto na interpretação de ações sensíveis pelos agentes de “computer-use” quanto na operação contínua nas fábricas. É imperativo que a IA se mostre útil sem se tornar uma fonte de vazamento de dados ou consumo excessivo de energia, integrando-se de forma holística a produtos e processos.






