Nesta sexta-feira, agências das Nações Unidas emitiram um alerta sobre a grave emergência humanitária que se intensifica na cidade de Taiz, no Iémen, onde as condições de vida para os civis estão se deteriorando rapidamente. A cidade, cercada por forças Houthis, tem enfrentado combates incessantes, levando ao isolamento do centro urbano por mais de 20 dias. As operações de ajuda humanitária foram severamente afetadas, com o acesso à cidade bloqueado e o deslocamento de civis tornando-se impossível.
Jens Laerke, porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), informou que as vias de acesso foram cortadas, resultando na falta de suprimentos essenciais, como alimentos e combustível. Atualmente, mais de 800 mil pessoas em Taiz não têm acesso a nenhum tipo de ajuda humanitária, conforme indicado pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP). Tentativas estão sendo feitas para reestabelecer o acesso à cidade enquanto os funcionários da agência fornecem assistência em outras regiões do Iémen.
A escassez de água também se torna uma preocupação significativa, uma vez que muitos moradores dependem do abastecimento por caminhões-pipa. A disponibilidade de água na cidade caiu pela metade devido aos bloqueios e à falta de óleo diesel, resultando em um aumento acentuado no custo do transporte de água.
O UNICEF expressou grande preocupação com a fome generalizada no país, informando que, entre as mais de 168 mil crianças avaliadas em Taiz, 52 mil foram diagnosticadas com desnutrição aguda e 11,5 mil com desnutrição aguda grave. Ricardo Pires, porta-voz da agência, destacou que, apesar de haver suprimentos suficientes para manter serviços essenciais por cerca de três meses, as restrições de acesso podem prejudicar a distribuição de alimentos e a jornada das famílias em busca de tratamento.
O agravamento do conflito em setembro quebrou a trégua estabelecida em 2022, resultando em um número crescente de deslocados. Desde agosto, pelo menos 1.574 pessoas perderam a vida e outras 6.939 ficaram feridas. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) registrou aproximadamente 258.679 deslocados entre junho e outubro, com muitos buscando abrigo em comunidades já sobrecarregadas. Até o momento, 3.836 cidadãos iemenitas fugiram para Djibuti, em busca de segurança conforme a situação no país piora. As agências humanitárias ressaltam a necessidade urgente de apoio internacional para aliviar o sofrimento da população afetada.
Origem: Nações Unidas





