A guerra no Sudão continua a causar deslocações massivas, aprofundando uma crise humanitária que já é considerada a mais grave do mundo. De acordo com Mamadou Dian Balde, diretor regional do Acnur para África Oriental e Austral, milhares de pessoas estão a atravessar fronteiras semanalmente, muitas vezes em direcção a regiões já fragilizadas, onde os serviços básicos eram limitados antes mesmo do início do conflito.
O Acnur prevê que cerca de 470 mil novos refugiados busquem abrigo nas nações vizinhas durante 2026, conforme estabelecido no Plano Regional de Resposta aos Refugiados do Sudão. Este plano visa oferecer apoio a milhares de indivíduos ainda nas áreas fronteiriças, que estão a receber assistência básica desde a sua chegada. A necessidade de um quarto apelo humanitário anual desta natureza ressalta o impacto contínuo do conflito e a dificuldade da resposta humanitária em acompanhar as crescentes necessidades.
A situação no Sudão permanece crítica quase três anos após o início da guerra, com serviços essenciais a colapsarem e o acesso humanitário severamente limitado em diversas áreas. A escassez de financiamento global tem pressionado as operações, levando o Acnur a encerrar centros de registo no Egito, que agora abriga a maior parte dos refugiados sudaneses, tornando-se cada vez mais difícil para essas pessoas acessarem serviços de proteção essenciais.
Enquanto isso, na fronteira leste do Chade, mais de 71 mil famílias refugiadas ainda aguardam abrigo seguro, enfrentando condições precárias. Em Uganda, a suspensão de serviços de saúde e nutrição está a aumentar o risco de doenças entre os refugiados. Apesar das dificuldades, o Acnur está determinado a continuar o apoio aos países anfitriões, focando em serviços essenciais e na inclusão de refugiados em sistemas nacionais.
Entretanto, com um aumento das necessidades e uma queda nos recursos disponíveis, a agência da ONU alertou que a diferença entre o que é necessário e o que está disponível para ajudar poderá comprometer tanto a resposta emergencial quanto as soluções a longo prazo. Com a incerteza em relação à paz e o apoio internacional em declínio, muitos refugiados estão a perder a esperança, recorrendo a rotas perigosas em busca de uma vida melhor. O Apelo do Acnur por maior assistência internacional rompe com a urgência de financiamento para as operações humanitárias nos países vizinhos, enquanto uma solução política duradoura para o conflito no Sudão permanece ausente.
Origem: Nações Unidas






