Nos últimos meses, a China tem tomado um rumo estratégico decisivo em sua busca pela autosuficiência em semicondutores, focando mais na consolidação de suas indústrias do que na criação de novas entidades. Os dois gigantes do setor de fabricação por contrato, a SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corporation) e a Hua Hong Semiconductor, estão promovendo operações significativas de aquisição para assumir o controle de ativos essenciais dentro de seu ecossistema local. Esse movimento reflete as dificuldades enfrentadas pelo país devido às restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos, que limitam o acesso a equipamentos avançados para a produção de chips.
A SMIC, a maior fabricante de semicondutores na China, anunciou um plano para adquirir os 49% restantes de uma de suas subsidiárias, em uma operação avaliada em 40,6 bilhões de yuanes (cerca de 5,8 bilhões de dólares). Por sua vez, a Hua Hong revelou um acordo para comprar 97,5% da Shanghai Huali Microelectronics, em um movimento de aproximadamente 8,27 bilhões de yuanes (cerca de 1,2 bilhões de dólares). Essas aquisições não apenas almejam reestruturar as operações internas, mas também visam consolidar os recursos da indústria em um contexto de pressão geopolítica crescente.
A nova estratégia de consolidação busca reforçar a capacidade industrial da China, com um foco claro em “nodos maduros”, ou seja, processos de fabricação de chips com tecnologia de 28 nm e superiores. Essa abordagem é particularmente relevante, pois muitos componentes eletrônicos essenciais ainda dependem de tecnologia menos avançada, permitindo que a China atenda sua demanda local de maneira mais eficiente e competitiva. Com a crescente pressão nas cadeias de abastecimento global, a capacidade de oferecer produtos em larga escala e a um custo acessível pode se tornar um diferencial chave para os fabricantes chineses.
Entretanto, a luta pelo controle tecnológico e a substituição de equipamentos estrangeiros por alternativas nacionais também alavancará um novo estágio de segmentação no mercado global. Espera-se que, à medida que a capacidade de produção em nodos maduros na China aumente, haja uma pressão significativa sobre os preços e as margens de lucro, afetando não apenas o cenário interno, mas também repercutindo em mercados internacionais.
Os próximos passos da China nessa transição não apenas moldarão o futuro da indústria de semicondutores no país, mas poderão também redefinir as dinâmicas do mercado global, levando a um cenário mais polarizado e segmentado em resposta às tensões geopolíticas atuais.






