A corrida para baratear e escalar a computação para Inteligência Artificial (IA) está impulsionando grandes provedores de nuvem e seus ecossistemas de parceiros para uma nova fase, caracterizada por um aumento na utilização de racks com aceleradores personalizados (ASIC) e uma menor dependência de hardware padrão. A lógica é clara: à medida que os volumes de inferência aumentam, a eficiência de custo e consumo se torna essencial. Nesse cenário, designs específicos, como TPU e chips personalizados, tornam-se mais atraentes em comparação com soluções generalistas.
Fontes do setor indicam um forte crescimento nos envios de ASIC para nuvem em 2026, com a Broadcom capturando projetos de produção em larga escala junto a múltiplos provedores de serviços em nuvem. Empresas de design e serviços de backend de Taiwan, como MediaTek, Alchip e GUC, também estão introduzindo novos produtos em produção em volume, visando acelerar a implementação de racks “ASIC-first” sem depender de ciclos mais longos de hardware tradicional.
A transformação no setor não é apenas tecnológica, mas também econômica. A TrendForce aponta que, após um período dominado pelo treinamento de grandes modelos com servidores GPU, o mercado está se reorientando para serviços de inferência, onde o uso de agentes de IA se torna uma forma crescente de monetização. Isso resulta em uma demanda que não se limita mais apenas a racks de IA puros, mas também coloca pressão sobre servidores gerais que executam tarefas de pré e pós-inferência.
Além disso, espera-se que o capital investido pelos cinco maiores CSPs norte-americanos—Google, AWS, Meta, Microsoft e Oracle—cresça 40% ano a ano até 2026, impulsionado pela expansão da infraestrutura e pela renovação de servidores adquiridos durante o boom de 2019 a 2021.
Os envios de servidores de IA baseados em ASIC deverão representar 27,8% das unidades em 2026, um índice máximo desde 2023, enquanto os sistemas com GPU continuarão a liderar com 69,7%. Google destaca-se no uso de ASIC próprios, vendendo suas TPU também para clientes externos, como Anthropic.
Contudo, o principal desafio do setor reside na oferta de memória, que se torna o fator limitante para a produção. A capacidade de computação só se traduz em desempenho real se os sistemas puderem fornecer dados com largura de banda suficiente e baixa latência. A demanda por servidores de IA e armazenamento empresarial deve continuar a elevar o mercado de memória, com projeções de crescimento superior a 50% anualmente até 2027.
Em resposta, os provedores de serviços em nuvem estão ajustando suas estratégias para garantir o fornecimento de memória e otimizar suas arquiteturas. A falta de memória pode atrasar a produção, tornando-o um recurso estratégico no cenário futuro.
Assim, 2026 promete ser um ano decisivo para a computação em nuvem, com impulsos na personalização do design e na formalização de contratos de longo prazo, à medida que a concorrência por recursos limitados intensifica-se. Com a memória se tornando o “pedágio” que pode determinar quem avança primeiro no mercado, o eco do crescimento da IA promete reverberar nas estruturas do setor tecnológico.






