A corrida pela automação automotiva ganha novo impulso com a parceria entre ZF e Qualcomm
A competição pela implementação de veículos definidos por software está se intensificando, movendo-se em direção a uma fase mais pragmática. Iniciativas que prometem avanços grandiosos estão sendo deixadas de lado em favor de plataformas que possibilitam o oferecimento de funções avançadas de assistência ao condutor (ADAS) a diferentes modelos e mercados, sem a necessidade de um redesenho completo do veículo. Neste contexto, a ZF e a Qualcomm Technologies anunciaram uma colaboração tecnológica que visa fornecer uma solução ADAS escalável, ancorada no supercomputador automotivo ZF ProAI e na plataforma Snapdragon Ride.
O objetivo da união entre as duas empresas é combinar capacidades de computação, percepção e arquitetura aberta, permitindo que os fabricantes integrem softwares de terceiros e adaptem as funções para cada veículo. Essa abordagem revela um núcleo tecnológico que pode ser configurado como controlador de domínio, controlador zonal ou controlador central, com flexibilidade para crescer desde funções regulatórias e de segurança até cenários de automação mais complexos.
A colaboração também reflete uma realidade já reconhecida por muitos fabricantes: a eletrônica dos automóveis não pode mais se expandir apenas adicionando unidades de controle. O foco agora é uma redução no número de centralitas, otimizando o desempenho e permitindo que mais funções sejam executadas simultaneamente, além de receber aprimoramentos via software.
O ZF ProAI, uma família de computadores centrais projetados para diversas plataformas e aplicações, emerge como uma solução central. Em sua configuração mais robusta, o ProAI é um sistema multidomínio, com múltiplas placas de alto desempenho e uma capacidade de computação acima de 1.500 TOPS. Este número, que ganha notoriedade no setor, é menos importante por sua cifra em si e mais pelo que possibilita: a consolidação de funções e a clareza de um caminho para a escalabilidade sem ter que reinventar o hardware em cada novo ciclo de produto.
Por sua vez, a plataforma Snapdragon Ride da Qualcomm traz um conjunto integrado de chips (SoCs), pilha de percepção e uma filosofia de design co-otimizada de hardware e software. O modelo oferece a possibilidade de unificar funções como visão por câmera, fusão de sensores e lógica de decisão, podendo até mesmo incorporar um modelo de inteligência artificial de ponta a ponta (E2E), dentro de uma arquitetura preparada para integrar módulos adicionais.
Dentro dessa parceria, o sistema Snapdragon Ride Pilot destaca-se por permitir a percepção baseada em câmeras, abrangendo funções que vão desde a detecção de objetos até a assistência em estacionamento. Este sistema é projetado para escalar desde configurações básicas com uma câmera frontal até esquemas multicâmera que possibilitam uma percepção ao redor do veículo.
Um dos principais focos dessa colaboração é a modularidade. A ZF propõe um catálogo de aproximadamente 25 funções de segurança, conforto e estacionamento, permitindo que os fabricantes escolham de forma escalável quais funcionalidades ativar para cada linha de veículo. Essa abordagem atende à transformação do setor automotivo, onde a assistência à condução se torna um “menu” de capacidades, acessíveis de acordo com a versão ou mercado.
O intuito é promover uma arquitetura aberta, com ferramentas que acelerem a integração e a atualização de software, incluindo atualizações over-the-air (OTA) ao longo da vida do veículo. Essa estratégia é essencial para garantir que os veículos não apenas mantenham suas funcionalidades, mas também possam ser aprimorados ao longo do tempo, respeitando sempre as normas de segurança.
A colaboração entre ZF e Qualcomm almeja abranger um amplo espectro de níveis de automação, desde funções básicas de conformidade até níveis mais altos de automação avançada. Com uma abordagem que reúne complexidade e acessibilidade, as empresas se estabelecem como protagonistas na evolução da indústria automotiva, antecipando um futuro onde os veículos se tornam cada vez mais inteligentes e adaptáveis.






