Um novo relatório das Nações Unidas, divulgado nesta segunda-feira, aponta para a crescente expansão de gangues violentas no Haiti, que estão aumentando seu controle sobre rotas marítimas e terrestres essenciais. O estudo, apresentado pelo Escritório de Direitos Humanos em Genebra, alerta ainda para o uso excessivo de força pela polícia haitiana, incluindo casos de execuções sumárias.
Segundo o documento, há pelo menos 26 gangues atuando em Porto Príncipe e regiões adjacentes, gerando um nível alarmante de violência que resultou no deslocamento forçado de cerca de 1,4 milhão de pessoas. Em 2023, mais de 55 mil pessoas perderam a vida em decorrência dessa violência crescente, que, em 2024, se consolidou com o avanço das operações dos grupos criminosos em direções ao norte, atingindo as regiões de Artibonite e Centre.
As gangues têm estabelecido o domínio sobre corredores estratégicos e rotas críticas, fundamentais para o seu financiamento e sustento operacional. Elas aterrorizam a população através de sequestros, execuções, extorsões e roubos em postos de controle ilegais, visando especialmente aqueles que supostamente colaboram com a polícia ou que se opõem a sua autoridade. O relatório menciona casos brutais de execução, onde algumas vítimas foram queimadas.
Adicionalmente, ações de segurança conduzidas por uma empresa militar privada contratada pelo governo, utilizando drones e disparos de helicópteros, levantam questões sobre a legalidade de suas operações. Apesar dos altos índices de violência, não foram observadas investigações por parte das autoridades judiciais sobre essas ações.
Enquanto isso, em um cenário caótico, grupos de autodefesa têm provocado linchamentos de suspeitos de ligação com gangues, frequentemente com o aparente encorajamento ou apoio de elementos da polícia. A ONU ressalta que, para além da segurança, é necessário avançar em áreas como governança, justiça e serviços sociais, especialmente para a juventude, para romper com o ciclo de violência. A Força de Supressão de Gangues, criada com o apoio da ONU em 2025, visa auxiliar nesse processo com um efetivo de 5 mil agentes e suporte logístico.
Origem: Nações Unidas





