Crianças no Sudão vivem uma situação dramática, enfrentando a morte iminente em meio à violência, fome e doenças. Nesta terça-feira, agências humanitárias relataram que os ataques aos serviços de saúde e a falta de acesso à ajuda humanitária estão dificultando os esforços de assistência. O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) revelou que em áreas do norte de Darfur, mais da metade das crianças sofre de desnutrição aguda, resultado dos intensos combates entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF).
Regiões como Baru, Kernoi e At Tine apresentam taxas de desnutrição que foram classificadas como “catastróficas”. O porta-voz do Unicef, Ricardo Pires, destacou que as crianças são as mais vulneráveis, com aqueles entre seis meses e cinco anos enfrentando um risco crescente à medida que a situação se agrava. Ele evidenciou que conflitos, deslocamentos em massa e o colapso dos serviços de saúde são fatores que contribuem para o aumento do alarmante estado de fome.
Além da insegurança alimentar, as crianças em At Tine estão expostas a febres, diarreias, infecções respiratórias e uma baixa cobertura vacinal, ao que se soma um sistema de saúde em colapso. Esses fatores transformam doenças tratáveis em sentenças de morte para pequenos já desnutridos. Pires fez um apelo ao mundo, solicitando que não se afastem os olhos das crianças sudanesas, enfatizando que a situação é gravíssima e que mais da metade dos jovens em Um Baru está à beira da morte.
Os efeitos da guerra entre a SAF e a RSF, que se arrasta há quase três anos, resultaram na fuga de 13,6 milhões de pessoas de suas casas, sendo 9,1 milhões de deslocados internos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou que, apesar da necessidade urgente de cuidados para os deslocados, o sistema de saúde está em ruínas, com ataques frequentes e significativa perda de equipamentos e profissionais.
Desde o início do conflito em abril de 2023, foram registrados 205 ataques a serviços de saúde, resultando em quase dois mil mortos e mais de quinhentos feridos. O representante da OMS no Sudão, Shible Sahbani, advertiu que esses ataques privam as comunidades de cuidados médicos por longos anos, criando um ambiente de terror para pacientes e profissionais de saúde.
O país também enfrenta surtos de doenças como cólera, malária, dengue e sarampo. Embora a OMS e seus parceiros tentem responder a essas emergências, Sahbani insistiu na necessidade de aumentar a proteção e o acesso para profissionais de saúde e instalações, conforme estipulado pelo direito internacional humanitário.
Origem: Nações Unidas





