O gigante taiwanês TSMC está prestes a alcançar um marco simbólico na recente história dos semicondutores: superar a Intel em número de funcionários. Durante décadas, a companhia americana não só foi uma referência tecnológica, como também a maior empresa do setor em termos de pessoal, unindo design de produtos, fabricação própria e desenvolvimento de tecnologias que se tornaram padrões da indústria. Contudo, após anos de cortes de pessoal na Intel e uma expansão contínua da TSMC, a liderança em “headcount” poderá mudar de mãos pela primeira vez.
Os dados mais recentes indicam que a Intel possui 85.100 funcionários após um ciclo de ajustes e demissões, enquanto a TSMC fechou 2024 com 83.825 trabalhadores. A diferença é pequena e, se o ritmo de contratação e expansão da TSMC continuar, essa mudança poderá ser confirmada com os dados anuais seguintes da companhia, em um momento em que a demanda por chips — impulsionada por centros de dados e inteligência artificial — pressiona toda a cadeia de suprimentos.
A comparação entre as duas empresas é complexa. A Intel, como um dos poucos grandes atores que ainda opera como IDM (fabricante integrado), desenha processadores, desenvolve tecnologia de processo e fabrica em suas instalações. Isso exige perfis e equipes que não estão presentes em muitas empresas “fabless”, como AMD ou NVIDIA, que apenas desenham chips e externalizam a fabricação. Por outro lado, a TSMC é a maior fundição do mundo, vendendo capacidade industrial e serviços avançados de embalagem a um ecossistema de clientes líderes em setores como dispositivos móveis e computação de alto desempenho.
Portanto, a mudança de liderança em número de funcionários não implica necessariamente que uma empresa seja “mais forte” que a outra, mas reflete uma tendência: o centro de gravidade da indústria deslocou-se em direção à capacidade de fabricação e embalagem avançada, especialmente agora, com a inteligência artificial transformando a infraestrutura de computação em uma questão estratégica.
A Intel, embora ainda grande em termos absolutos, passou por um processo de contração com a redução de sua força de trabalho. O debate dentro do mercado se concentrou em métricas como receita por funcionário e eficiência operacional, especialmente em empresas com estruturas historicamente mais pesadas. Em contrapartida, a TSMC está investindo e expandindo suas operações, respondendo diretamente à demanda crescente por capacidade de fabricação de ponta.
O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) também é um indicador crucial para ambas as empresas. Mesmo após ajustes, a Intel alocou 13,8 bilhões de dólares em P&D, mantendo diversas frentes de inovação. No entanto, isso acontece em um contexto financeiro desafiador, onde a necessidade de cortar investimentos pode ameaçar a capacidade de manter a relevância tecnológica no futuro. A TSMC, embora não produza um produto final, compete ferozmente em tecnologia de fabricação e embalagem, áreas críticas para o desempenho e viabilidade econômica dos chips voltados para IA.
Além do simbolismo, essa possível mudança de liderança no número de funcionários possui implicações industriais significativas, pois a demanda por capacidade de fabricação está em ascensão. Em um panorama onde a TSMC se tornou fundamental para as diretrizes tecnológicas globais, a Intel enfrenta o desafio de modernizar sua operação enquanto mantém sua identidade histórica de controle de toda a cadeia de produção. A luta pela presença no mercado tecnológico do futuro continua, com mais em jogo do que apenas números de funcionários.





