A reabertura da passagem de Rafah, localizada no sul da Faixa de Gaza, trouxe um misto de otimismo e apreensão, conforme relatado por representantes da Agência da ONU de Assistência aos Palestinos (Unrwa). Após mais de um ano fechada, essa é a única ligação de Gaza com o Egito e uma esperança vital para muitos palestinos severamente doentes ou feridos que necessitam de tratamento médico que não pode ser oferecido no enclave.
Segundo informações de agências, Israel permitirá a passagem de cerca de 50 palestinos diariamente, e apenas a pé. Este movimento faz parte de um plano de paz mais amplo, apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, que inclui um cessar-fogo entre Israel e Hamas. Embora a trégua ainda esteja em vigor, o final de semana foi marcado por novos episódios de violência e ataques aéreos israelenses que resultaram em mortes de civis.
O processo de controle na fronteira será rigoroso. Apenas os residentes que deixaram Gaza durante o conflito e que possuírem autorização prévia dos serviços de segurança de Israel poderão retornar. As verificações iniciais serão realizadas pelos representantes da União Europeia, seguidas de um segundo controle em um corredor sob supervisão do exército israelense.
A Unrwa expressou esperança com a reabertura da passagem, reforçando que os civis devem ter o direito de sair e voltar com segurança, conforme estipulado pelo direito internacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também apoiou os esforços de evacuação médica, embora as autoridades israelenses tenham aprovado a saída de apenas cinco pacientes de um total de 27 que necessitavam urgentemente de tratamento.
O cenário é desesperador para muitos, como Youssef Awad, um garoto em cadeira de rodas que aguarda tratamento. No Hospital Al-Amal, cerca de 100 pacientes esperam por encaminhamentos médicos, e há aproximadamente 13 mil feridos que ainda aguardam transporte. O diretor interino da Unrwa em Gaza, Sam Rose, destacou a persistência do medo e da incerteza entre os palestinos e as contínuas necessidades humanitárias, que permanecem agudas diante das restrições operacionais que afetam as organizações que provêm assistência vital.
Origem: Nações Unidas





