Os ataques aéreos e o uso de drones continuam a ser uma realidade preocupante na Faixa de Gaza, mesmo com o cessar-fogo em vigor. Desde o início de outubro, mais de 100 crianças perderam a vida na região, de acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O porta-voz da agência, James Elder, relatou em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, na Cidade de Gaza, que essa média representa aproximadamente um menor de idade morto a cada dia durante o período de cessar-fogo.
Elder enfatizou que as mortes ocorrem devido a ataques aéreos e ao uso de drones, incluindo os conhecidos como “suicidas”, além de bombardeios de tanques e munição real. Ele também mencionou que a situação se agrava com o rigoroso inverno, levando a casos de hipotermia, que já resultaram em seis mortes recentes, acompanhadas por ventos fortes que danificam as já precárias tendas na praia.
No entanto, o cessar-fogo trouxe avanços na atenção primária à saúde, com a instalação de clínicas de saúde no norte da Faixa de Gaza e a ampliação dos serviços de imunização em parceria com outras organizações. Apesar disso, as evacuações médicas de crianças com condições graves permanecem paralisadas, sem que haja melhorias significativas na liberação dessas transferências para tratamento.
Casos críticos têm sido relatados, como o de um menino de nove anos com estilhaços nos olhos, que corre o risco de perder a visão, e uma menina em estado grave no hospital Al Shifa, que pode não sobreviver. Antes do início do conflito em 7 de outubro, até 100 pacientes eram transferidos diariamente, mas o fluxo foi drasticamente interrompido.
Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou uma melhoria na disponibilidade de alimentos e suprimentos médicos na região desde o cessar-fogo. No entanto, a entrada de alguns destes suprimentos ainda enfrenta desafios devido a procedimentos de liberação alfandegária.
As condições em Gaza continuam a ser críticas, com a população enfrentando deslocamento, escassez de abrigo adequado e risco elevado de surtos de doenças, especialmente com a chegada do inverno rigoroso. A OMS ressaltou a necessidade urgente de garantir um acesso humanitário sustentável para atender às necessidades da população e proteger vidas.
Origem: Nações Unidas






