OpenAI Enfrenta Desafios na Construção de Infraestrutura de IA
OpenAI, famosa por popularizar o ChatGPT, se encontra em uma situação paradoxal na corrida pela Inteligência Artificial: à medida que a demanda cresce, a empresa se torna cada vez mais dependente de uma infraestrutura que não controla totalmente. A companhia lançou a iniciativa Stargate, em colaboração com a Oracle e a SoftBank, prometendo um avanço histórico na capacidade de data centers. No entanto, o mercado de computação se transforma em uma verdadeira guerra por energia elétrica, terrenos e chips essenciais, que se move em um ritmo acelerado.
Stargate foi anunciada como um projeto ambicioso que visa investir até US$ 500 bilhões em quatro anos, criando uma rede de infraestrutura com capacidade de 10 GW para IA nos Estados Unidos. Em setembro de 2025, OpenAI anunciou cinco novos centros de dados no país, elevando a capacidade para quase 7 GW, com a intenção de atingir os 10 GW conforme o cronograma previsto.
Entretanto, nos bastidores, surgem relatos sobre dificuldades internas na joint venture que estrutura o projeto, com desentendimentos sobre liderança e responsabilidades financeiras. Isso levou a OpenAI a considerar alternativas em paralelo, revelando a complexidade de implementar uma infraestrutura dessa magnitude.
Para lidar com essas dificuldades, OpenAI está adotando uma estratégia de diversificação de fornecedores, assegurando que a empresa não dependa de um único serviço. Nos últimos meses, fortaleceu sua parceria com a AWS e continua mantendo colaborações com a Oracle, além de integrar a capacidade de provedores como o Google Cloud.
Essa mudança implica que a IA não se apoiará mais em um único grande data center, mas em uma rede distribuída onde cada fornecedor contribui com diferentes elementos, como acesso a chips, localizações e capacidade de rede. Em um contexto de crescente demanda, OpenAI também começou a diversificar sua dependência de chips da NVIDIA, explorando parcerias com empresas como AMD e Cerebras, buscando alternativas para assegurar a continuidade e a eficiência de seus serviços.
O movimento de OpenAI reflete uma realidade física e econômica: a corrida pela IA é também uma competição por energia e hardware. A necessidade de garantir uma fonte de energia estável e suficiente se tornou uma preocupação central, especialmente em estados como o Texas, onde grandes iniciativas estão sendo desenvolvidas.
Com expectativas de gastar cerca de US$ 600 bilhões em infraestrutura até 2030, OpenAI percebe que precisa comprar capacidade de quem a possui em vez de simplesmente construir sua própria. Essa realidade possui impactos diretos no mercado, onde o acesso a energia, permissões e tecnologia representam novos fatores decisivos para a vantagem competitiva em IA.
Além disso, a concentração da infraestrutura em um número limitado de fornecedores pode afetar a soberania tecnológica, destacando a necessidade de um equilíbrio entre inovação e dependência. No cenário atual, a construção de centros de dados que possam ser alimentados e equipados com chips se torna imprescindível para a definição do futuro da Inteligência Artificial.






