A SMIC, maior fundição da China, anunciou um aumento significativo na capacidade de produção de semicondutores, prevendo adicionar cerca de 40.000 wafers mensais de 12 polegadas até o final de 2026, após já ter incorporado 50.000 em 2025. No entanto, essa expansão traz consigo um aumento expressivo nos custos de depreciação, projetados para crescer cerca de 30% em 2026, aumentando a preocupação sobre as margens brutas da empresa. Durante uma teleconferência sobre resultados, o co-CEO Zhao Haijun destacou as pressões financeiras que a empresa enfrentará devido a essa rápida expansão.
A reação do mercado foi negativa, com as ações da SMIC em Hong Kong caindo quase 4% após a empresa sinalizar um crescimento plano nas receitas no trimestre atual em comparação ao anterior e alertar sobre o impacto da depreciação nas margens. A SMIC reconhece que a alta taxa de investimento que está fazendo para acelerar sua capacidade de produção poderá pressionar os lucros a curto prazo.
Além disso, a empresa enfrenta desafios logísticos, com a pré-compra de equipamentos críticos, mas ainda necessitando de componentes auxiliares, o que pode causar desajustes no cronograma de produção.
A demanda crescente no mercado doméstico é vista como uma mudança estrutural importante. Zhao apontou que a dependência da cadeia de suprimentos externa está diminuindo, com um crescente foco na produção local. Essa transição tem beneficiado várias categorias de chips, como analógicos e microcontroladores, sendo que a China representa 87,6% das receitas do quarto trimestre, enquanto os EUA contribuíram com apenas 10,3%.
Outro fator que impacta o setor é o chamado “efeito IA”, com a alta demanda por memória relacionada à inteligência artificial apertando a oferta para outros segmentos, especialmente os de smartphones de gama média e baixa.
No último trimestre, a SMIC teve um aumento no lucro de 60,7%, alcançando receitas de 2,49 bilhões de dólares, superando as expectativas de mercado. A capacidade mensal de produção foi de 1,06 milhão de wafers de 8 polegadas, com uma taxa de utilização de 95,7%. Apesar dos altos níveis de investimento, com um CapEx de 8,1 bilhões de dólares em 2025, a empresa insiste que seu foco continua sendo a expansão da capacidade, mesmo que isso prejudique suas margens a curto prazo.
O cenário também está sendo moldado pela busca por soberenia tecnológica, onde gigantes locais como a Huawei estão cada vez mais se beneficiando da produção da SMIC, indicando uma tentativa do ecossistema chinês de integrar design, fabricação e produto final em meio a restrições internacionais.






