O Fundo Monetário Internacional (FMI) finalizou uma visita ao Panamá, destacando que o país latino-americano deve continuar a crescer durante este ano, após a adoção de medidas e reformas destinadas a fortalecer a economia. O FMI acredita que a implementação total do plano de redução de gastos, aprovado pelo governo, tornará a meta fiscal para este ano atingível.
Entre as iniciativas elogiadas pelo órgão está a reforma da previdência, que se insere em um contexto mais amplo de discussões fiscais e monetárias, avaliando riscos potenciais. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Panamá desacelerou no ano passado, caindo para 2,9%, em comparação com 7,3% no ano anterior, influenciado pelo fechamento da mina de cobre Cobre Panamá, que representava uma parcela significativa da economia do país.
Como consequência das dificuldades econômicas, o desemprego subiu de 7,4% em agosto para 9,5% em outubro de 2023. Entretanto, o PIB não relacionado à mineração está se recuperando, impulsionado pelo crescimento do setor de serviços, que passou por um boom pós-pandemia. Além disso, as pressões inflacionárias diminuíram, levando a uma inflação negativa que atingiu -0,2% no final de 2024.
O Panamá enfrenta desafios climáticos, como a seca exacerbada pelo fenômeno El Niño, que resultou em restrições de tráfego no Canal do Panamá. Esta via marítima, crucial para o comércio mundial, conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e facilita aproximadamente 6% do comércio marítimo global. Para mitigar esses problemas, o governo está implementando o Projeto do Reservatório do Rio Índio, um investimento significativo destinado a criar um terceiro reservatório de água doce.
O Canal do Panamá opera através de um sistema de eclusas, dependendo da água dos reservatórios artificiais Lago Gatún e Lago Alajuela, e entre 2000 e 2024, foram investidos cerca de US$ 5 bilhões em sua operação. As restrições de navegação foram gradualmente suspensas com a chegada da estação chuvosa, permitindo ao Canal operar em plena capacidade ao completar 110 anos em setembro de 2024.
Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU discutiu a navegação marítima, ouvindo o CEO da Autoridade do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez Morales, que ressaltou a importância do canal para a estabilidade do comércio global. Ele reafirmou que o canal é regido por um tratado internacional que garante acesso igual para todas as nações, destacando também a necessidade de enfrentar as mudanças climáticas por meio de tecnologias que reforçam a resiliência do Canal.
Origem: Nações Unidas