A presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, fez um discurso contundente nesta terça-feira em Estrasburgo, pedindo ao Parlamento Europeu que a União Europeia assuma um papel de liderança na defesa da Carta da ONU e do sistema internacional. Durante sua intervenção, ela destacou a crescente instabilidade global e os desafios enfrentados pelo multilateralismo, sublinhando que a ordem internacional está sob ataque devido a conflitos em várias regiões, incluindo a Venezuela, o Irã e a Ucrânia.
Baerbock enfatizou a necessidade de uma aliança entre diversas regiões do mundo, abrangendo a África, Américas, Ásia, Pacífico e Europa, para proteger e reforçar princípios fundamentais da ONU. Ela alertou sobre o uso de desinformação como uma ferramenta de poder político, destacando a urgência de uma resposta coletiva para combater fake news e discurso de ódio, especialmente em um cenário marcado por tecnologias emergentes.
Ela abordou, ainda, a questão dos direitos das mulheres, mencionando o impacto devastador de deepfakes e outras formas de violência virtual, que frequentemente têm as mulheres como alvos. Chamou a atenção para a importância de uma ação ativa contra tais ataques, destacando que a omissão pode ser interpretada como cumplicidade.
A presidente também fez referência à resposta unificada da União Europeia à invasão da Ucrânia, afirmando que essa demonstração de solidariedade é um exemplo que deve ser replicado em outras crises globais. Em sua fala, reiterou a necessidade de um compromisso claro da UE com a paz e segurança internacional, e elogiou parcerias comerciais estratégicas que possam impulsionar a cooperação e o desenvolvimento sustentável.
Baerbock expressou preocupação com a burocracia da ONU e o risco de que suas fragilidades sejam exploradas por atores que buscam desestabilizar o sistema global. Ela incentivou a União Europeia a ser mais ativa nas discussões sobre reformas dentro da organização e a garantir que suas contribuições financeiras sejam pagas pontualmente para evitar crises financeiras.
Por fim, ressaltou a importância de uma liderança inclusiva na ONU, defendendo que os Estados devem apoiar candidaturas femininas para cargos de destaque, como o de Secretário-Geral. Em suas palavras, o desenvolvimento e a paz são interdependentes, e é fundamental que a verdade não seja confundida com fragilidade.
Origem: Nações Unidas






