No vasto mundo do empreendedorismo espanhol, as estatísticas são dualistas, gerando tanto motivação quanto desânimo. Embora as histórias de sucesso dominem os noticiários, a dura realidade aponta que apenas 15% das startups conseguem ultrapassar a barreira dos primeiros três anos. A grande maioria se vê compelida a fechar suas portas, insuflar mudanças drásticas em suas operações ou permanecer em um estado de limbo, onde não evolui, mas também não desaparece.
Esse cenário não é fruto da casualidade, mas de erros repetidos e bem identificados por especialistas do setor. Dentre os principais motivos de fracasso, destaca-se o desenvolvimento de produtos sem validação, uma prática comum que leva muitas startups a investir tempo e recursos em ideias que carecem de demanda efetiva. Além disso, o esgotamento acelerado dos recursos financeiros antes de atingir o tão almejado product-market fit é outro fator crítico. Por último, mas não menos importante, os conflitos internos entre cofundadores, que são responsáveis por impressionantes 70% das dissoluções, revelam a fragilidade nas relações dentro das equipes.
Quem sobrevive, no entanto, frequentemente pode identificar padrões claros que levam ao sucesso. A validação rápida e econômica de ideias, o domínio das métricas de negócio, a busca proativa por financiamento e a utilização tanto do equity quanto das ajudas públicas têm se mostrado práticas fundamentais. Os empreendedores bem-sucedidos compreendem que uma rodada de financiamento não significa necessariamente o triunfo, mas é apenas um meio para continuar avançando.
Nos últimos cinco anos, o ecossistema de empreendedorismo na Espanha vivenciou uma notável melhoria, protagonizada pela disponibilidade crescente de fundos, aceleradoras, informação qualificada e infraestrutura. Iniciativas como Lanzadera, em Valência, South Summit, em Madrid, e o Barcelona Tech City, além dos empréstimos da ENISA, emergem como recursos imprescindíveis para os novos empresários. Apesar da abundância de oportunidades, o conselho vital para os empreendedores continua sendo o mesmo: focar em um produto que realmente tenha necessidade no mercado, contar com uma equipe competente e gerenciar os recursos financeiros com sabedoria. Embora esses elementos possam carecer do glamour das grandes rodadas de financiamento, são precisamente eles que fazem a diferença entre triunfar ou fracassar neste competitivo cenário de empreendedorismo.






