O mundo enfrenta uma grave crise hídrica, conforme revelado no relatório “Falência Hídrica Global”, publicado pelo Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas. O documento, que foi lançado nesta terça-feira, destaca que décadas de uso excessivo, poluição e mudanças climáticas resultaram no colapso de sistemas hídricos essenciais em várias partes do planeta.
A análise aponta que quase metade da produção global de alimentos está ameaçada, uma vez que muitos aquíferos, lagos e zonas úmidas estão chegando a um ponto sem retorno, onde a extração de água excede a reposição natural. Kaveh Madani, diretor do instituto, enfatiza que a abordagem atual, que considera a situação como uma crise temporária, pode agravar o problema e levar a conflitos sociais.
Os dados revelam que 50% dos grandes lagos do mundo, essenciais para cerca de 25% da população global, estão perdendo água. Além disso, 70% dos principais aquíferos estão em declínio, e a destruição de zonas úmidas alcançou 410 milhões de hectares nas últimas cinco décadas, um espaço quase equivalente à totalidade da União Europeia.
A qualidade da água também está se deteriorando em muitas regiões, devido a poluentes provenientes da agricultura, esgoto e resíduos de mineração. Com isso, o que antes eram secas ocasionais se tornou uma crise permanente de escassez hídrica em diversas localidades. Os autores do relatório pedem ações imediatas dos governos para evitar danos irreversíveis e promover a justiça social nas comunidades mais afetadas.
O documento foi apresentado antes de uma importante reunião em Dacar, Senegal, que ocorrerá entre 26 e 27 de janeiro, focando na preparação da Conferência da ONU sobre a Água de 2026, programada para dezembro nos Emirados Árabes Unidos. As propostas discutidas visam a transformação dos setores que consomem grandes quantidades de água, bem como estratégias para proteger as comunidades vulneráveis diante dessa crise crescente.
Origem: Nações Unidas






