A Amazon está enfrentando desafios significativos em sua expansão de infraestrutura de serviços em nuvem, a AWS, na Europa. A necessidade de se conectar à rede elétrica tem se revelado um obstáculo complexo, que persiste mesmo em meio ao crescimento exponencial da demanda digital. Analistas do setor alertam que, atualmente, o maior problema não é a construção de novos centros de dados, mas sim a obtenção de capacidade elétrica firme e conexões em prazos razoáveis.
De acordo com informações divulgadas por representantes da AWS, em algumas regiões da Europa, as esperas para novas conexões elétricas podem se estender por até sete anos. Isso tem levado algumas iniciativas a serem adiadas ou reformuladas. A situação se agrava em áreas onde, além do aumento da demanda por serviços de computação em nuvem, a infraestrutura para inteligência artificial também está em rápida expansão, resultando em uma competição acirrada por recursos elétricos.
A Comissão Europeia já reconheceu a urgência de modernizar a rede elétrica, prevendo a necessidade de centenas de bilhões de euros de investimento até 2030. O cenário é complicado ainda mais pela existência de redes envelhecidas e processos de liberação de obras que não acompanham o ritmo acelerado da digitalização e electrificação. O congestionamento nas conexões se intensifica à medida que se torna comum a “fome” por pontos de conexão, resultando em longas filas onde projetos sólidos competem com pedidos especulativos.
O exemplo da Irlanda serve como um alerta, onde a demanda por centros de dados já representa 22% do consumo elétrico nacional, um salto em relação a apenas 5% em 2015. Como resposta, o regulador de energia do país estabeleceu novas políticas que exigem que novos centros atendam a pelo menos 80% de sua demanda anual com fontes renováveis adicionais.
Para as empresas de tecnologia, as implicações são profundas. A saturação de capacidade não virá apenas da falta de espaço em servidores, mas sim da escassez de eletricidade. Isso pode resultar em prazos de disponibilidade mais imprevisíveis e em custos adicionais associados à conexão e infraestrutura. O mercado pode ter que se adaptar a um modelo “first-ready, first-served”, onde projetos mais maduros são priorizados em detrimento daqueles que apenas buscam especular sobre a capacidade disponível.
À medida que o acesso à eletricidade se torna um fator de competitividade crítico, a localização e a infraestrutura necessária para suportar essa demanda se tornam essenciais. O futuro da infraestrutura digital na Europa pode depender da capacidade de inovar não apenas em termos de tecnologia, mas também na forma como se planeja e se investe na rede elétrica.





