Durante uma apresentação no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, o alto comissário Volker Turk expressou preocupação com a situação atual na Venezuela, especialmente após a intervenção militar americana em 3 de janeiro. Apesar de alguns avanços, como a adoção de uma nova lei de anistia e a libertação de mais de 7,7 mil prisioneiros, Turk enfatizou que ainda há muito a ser feito. A lista de nomes dos libertados ainda não foi compartilhada com a ONU, mesmo após várias solicitações.
Turk alertou que a declaração de estado de emergência feita pelas autoridades venezuelanas tem sido utilizada de maneira a intensificar a repressão e o medo dentro da população, com forças de segurança e grupos civis armados agindo em sua justificativa. Ele relatou o aumento do número de detenções arbitrárias nos últimos meses, que inclui jornalistas, defensores de direitos humanos e até mesmo crianças, além de pessoas em condições de saúde críticas.
Relatos de maus-tratos e tortura também foram mencionados, destacando a situação de pessoas detidas em centros como Rodeo1 e Fuerte Guaicaipuro. O espaço cívico no país continua a ser severamente restringido, dificultando a atuação de organizações não governamentais e gerando um ambiente de medo em que muitos hesitam em se manifestar.
Por outro lado, Turk reconheceu que houve esforços para corrigir erros do passado e que a população vive um cenário misto de esperança, medo e incerteza. O alto comissário também ressaltou a necessidade de garantir reformas econômicas que realmente beneficiem os venezuelanos e respeitem seus direitos, apontando que muitos ainda enfrentam dificuldades em acessar serviços básicos como saúde, água e alimentos. Ele finalizou agradecendo pela concessão de vistos a seus colaboradores, permitindo que eles visitem a Venezuela para melhor compreender a situação no país.
Origem: Nações Unidas






