A indústria de hardware para centros de dados tem enfrentado mudanças significativas nos últimos anos, especialmente à medida que a inteligência artificial (IA) ganha mais espaço e importância. Com o início da fabricação em larga escala da plataforma Nvidia GB200, parte da família Blackwell, o modelo de negócios nessa área está passando por uma transformação drástica. Não se trata mais apenas de fornecer chassi e estrutura metálica, mas de integrar sistemas térmicos e infraestrutura completa de racks.
Na era anterior à IA generativa, a chave do sucesso estava na produção de chasses como simples invólucros mecânicos. Contudo, com a crescente necessidade de implantações em larga escala, os operadores de data centers estão buscando racks já integrados e testados, prontos para uso. Este movimento está levando a indústria de hardware a repensar suas ofertas, que agora envolvem uma integração mais profunda, incluindo distribuição de energia, cabeamento e, cada vez mais, soluções de refrigeração líquida.
Um dos principais fatores que justificam essa mudança é a crescente densidade térmica dos equipamentos. À medida que a demanda por GPUs aumenta e os componentes de interconexão se multiplicam, a refrigeração a ar se torna insuficiente. Assim, a indústria começa a adotar sistemas de refrigeração líquida, que não só otimizam a dissipação de calor, mas também garantem maior eficiência na operação. As empresas estão se adaptando para oferecer, além do chassi, um pacote completo que inclui a infraestrutura térmica e a montagem do rack.
Essa mudança de abordagem representa não apenas um desafio técnico, mas também uma nova dinâmica de mercado. Fabricantes que antes focavam apenas na mecânica agora competem em áreas como design térmico, integração do rack e confiabilidade do sistema, elevando suas capacidades para atender a uma demanda crescente por soluções que suportem as exigências da IA.
Com o surgimento de soluções específicas para a refrigeração líquida, como os trocadores de calor integrados que grandes empresas de nuvem estão desenvolvendo, fica claro que essa é uma tendência que provavelmente se tornará padrão na indústria. Os operadores de centros de dados, então, precisam se preparar para essas mudanças, ajustando sua logística, seus contratos e seus procedimentos de manutenção, além de lidar com um aumento nos custos associados à infraestrutura térmica.
A transformação na relação entre fabricantes e operadores, favorecendo a venda de soluções completas em vez de produtos isolados, marca um novo capítulo na evolução do hardware para centros de dados, onde o foco se volta para a integração e eficiência em um mundo cada vez mais dominado pela inteligência artificial.






